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ZECA DI NHA REINALDA: sofrendo nas mãos dos dirigentes ventoinhas


Opinião:  ZECA DI NHA REINALDA…ESPEZINHADO EM PLENA DEMOCRACIA E NUM ESTADO DE DIREITO. Fizeram no passado e são capazes de fazer no presente

Carlos-Zeca-Nha-Reinalda-ftDificilmente iria quedar-me em silêncio e conter a minha emoção ao tomar conhecimento, através de uma entrevista televisiva no “Nobidade TV”, nos Estados Unidos, da descriminação e tortura psicológica que o rei do funaná, Emanuel Maria Dias Fernandes, com o nome de guerra “Zeca Di Nha Reinalda” tem sofrido, durante todos esses anos, pelos dirigentes ventoinhas. A entrevista pode ser visionada pelo endereço www.nobidadetv.com

Uma entrevista em que o seu conteúdo é de bradar aos céus, arrepia e põe em estado de choque, mesmo os mais insensíveis. Essa entrevista põe a nu o carácter vingativo do Movimento para a Democracia e dos meios que utilizam para chegarem ao poder. Aliás, muito dos seus desfeitos como violentar igrejas, açoitar deputado, ordenar prisões arbitrárias de sindicalistas e jornalistas, autorizarem transferências compulsivas e muitos outros actos ignóbeis fazem parte do curriculum da democracia professada pelos ventoinhas.

De todo o modo, estou em crer que toda a sociedade cabo-verdiana, e os próprios militantes e simpatizantes dos rabentolas, o epíteto escolhido diz tudo, não  duvidam do que os dirigentes do MpD, fizeram no passado e são capazes de fazer no presente. Eles regem pela silabário do vale tudo, para fazer política. Faço minhas as palavras do Zeca Di Nha Reinalda quando diz que durante a vigência do partido único, falou-se muito em perseguições políticas, e se formos analisar os casos conhecidos, alguns foram cometidos directamente ou com conivência de alguns dos actuais líderes ventoinhas, que na ocasião, ocupavam altos cargos no regime de então. Eu, felizmente, sempre tive a minha liberdade e desfrutei dela. Contrariamente ao pôs 13 de Janeiro, em que tudo ficou mais espinhoso.

Fazer política não é “ratcha du ba”

Infelizmente ou felizmente, a política é uma ciência complexa que não é para todos, exige muita sabedoria e ponderação. Fazer política não é “ratcha du ba”, como muitos pensam e nem meios para ter poder e ganhar dinheiro. As revelações feitas pelo Zeca, nesta entrevista, são muito fortes e choca qualquer um, mesmo as pessoas mais frias. É preciso denunciar e condenar esses actos hediondo, que não podem fazer escola em democracia e num estado de direito. Por isso, uno a minha voz ao do Zeca, repugnado este acto corriqueiro do movimento ventoinha, divulgando-o com a minha escrita para que os cabo-verdianos espalhados pelos sete cantos do mundo saibam o que está a acontecer no nosso Cabo Verde.

Caros leitores, do Zeca conheço apenas o seu lado artístico. Raras vezes tive o privilégio de conviver com ele, das muitas vezes que esteve nos Estados Unidos, em digressão ou férias. O nosso contacto mais próximo deu-se em 2010, quando, a convite do Neves Travel participou enquanto músico, na cerimónia de homenagem à minha pessoa e ao falecido Norberto Tavares.

A minha postura em relação a essa delação, não tem nada a ver com a amizade que nutro pelo Zeca enquanto pessoa ou músico, mas sim pela gravidade do acto em si. Teria a mesma reacção se isso tivesse acontecido com qualquer outra pessoa, independentemente da sua raça, credo ou cor. Ao escutar as revelações gravíssimas feitas pelo Zeca de Nha Reinalda decidi, imediatamente, juntar a minha voz ao dele, alertando a quem de direito, para por cobro a essa prática, para que não perpetue no nosso país. A minha primeira reacção, por uma questão de ética, foi comunicar ao produtor do então programa televisivo da minha intenção, como forma de ajudar ao rei do funaná a expressar a sua dor, uma dor que lhe doía na alma ao ponto de não conter as lágrimas e chorar em plena entrevista. Vale a pena ver o vídeo!

 

Rosana Almeida sofreu censura quando fez uma entrevista ao Zeca

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Rosana Almeida

As acções contra o Zeca, não vem de agora. Alguns funcionários da RTC podem provar, com factos, da censura que a jornalista Rosana Almeida sofreu quando fez uma entrevista ao Zeca num dos programas de maior audiência na altura, denominado “Treze Catorze”. A entrevista que era para ser de uma hora, foi só de mais ou menos 30 minutos.

A entrevista do Zeca no “Nobidade TV” que serão divididas em três partes e nela o que mais me escandalizou foi a tortura psicológica a que ele foi sujeito na década de 90, pelos pseudo democratas do MpD. Uma situação inconcebível em plena democracia e num estado de direito. Aliás, toda a gente se lembra que durante o reinado do rabentolismo quem  não lesse pela cartilha ventoinha, via o pão que o diabo amassou, muitos perderam emprego, outros foram repatriados da sua própria ilha. A linha de força da governação do MpD eram, “pedra ka ta djuga ku garrafa”, “Fidjus di dentu e fidjus di fora”, entre outros.  “Tristi go”. Voltando ao Zeca, um educador, um homem de música, compositor e intérprete, com uma voz inconfundível e que já deu muitas alegrias aos cabo-verdianos e não só, nunca foi convidado para participar em nenhum show organizado pelos ventoinhas enquanto poder central e poder local. Antes pelo contrário, fazem tudo para o lixar, para o boicotar quando pede licença para produzir qualquer espectáculo. Para se ter uma ideia, numa das vezes que o Zeca resolveu organizar um espectáculo, para a obtenção de autorização a edilidade exigiu para a segurança do recinto setenta policias, Não obstante sabermos que a questão de segurança de eventos é da responsabilidade da Policia Nacional, e o numero de agentes é determinado por um plano de segurança elaborado pelo comando a que o local do show está circunscrito.

 

Ulisses Correia e Silva à Câmara Municipal da Praia: Riba Praia “Plateau” v. Baixo Praia

ulisses coreia silva

Ulisses Correia e Silva

Com a chegada do Sr. Ulisses Correia e Silva à Câmara Municipal da Praia e à Presidência do MpD, a situação do Zeca e de outros artistas que não alinham com os rabentolas agravaram-se, deixaram puro e simplesmente de serem convidados para as actividades culturais realizadas pela edilidade, que como sabemos é quem organiza o maior número de actividades culturais ao nível do país. Percebendo nas entrelinhas o Zeca quis alertar aos telespectadores do carácter bairrista do actual líder ventoinha. Depreendi com alguns exemplos apresentados que o Sr. Ulisses Correia e Silva é uma pessoa muito conservadora e paternalista, para ele primeiro está o pessoal do Riba Praia (Plateau), depois os da “Baixo Praia” e por último os da periferia, que são o interior de Santiago e as outras ilhas. Para quem duvide, basta analisar os seus vereadores na Câmara Municipal, e os seus vices na liderança do movimento ventoinha. A defesa acérrimo que ele faz ao regionalismo não passa de politiquice para os cabo-verduras verem. Ele é bairrista de gema. Senão vejamos: a Presidente da Assembleia Municipal, os vereadores da Cultura, do Urbanismo, das Infra-estrutura e da Cooperação são todos de Riba Praia, como ele. O Secretário Municipal e os restantes vereadores são todos do Plateau. Será coincidência não ter uma pessoa capaz nos ventoinhas, num município tão cosmopolita como o da Praia?

Por último, para completar a sua centralização positiva em relação aos do Riba Praia, há bem pouco tempo criou um departamento junto do Pelouro do Urbanismo que gere os terrenos (tetas) municipais, e quem é o responsável por esse departamento? Nada mais, nada menos que uma empresa de um filho de Riba Praia.

Como disse o Zeca e bem, os do MpD preocupam com o seu bem-estar e eu acrescento o Ulisses preocupa com os seus do Riba Praia. Agora nós os cabo-verdianos temos que estar atentos e não colocar a linguiça no pescoço do gato. Aliás, eles já nos avisaram ao escolherem o Slogan de campanha “quem faz fará”.

Estamos conversados.

Carlos Tavares



 

 

 

 

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