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Francisco Tavares: Nós podemos e devemos fazer mais por Amílcar Cabral


MENSAGEM DO PRESIDENTE DA CÂMARA  MUNICIPAL DE SANTA CATARINA DE SANTIAGO ALUSIVA AO DIA DOS HERÓIS NACIONAIS

CABRAL: UMA REFERÊNCIA DE CORAGEM, DE INTELIGÊNCIA E DE PATRIOTISMO

francisco-tavares-amilcar cabralNa sua mensagem alusiva ao Dia dos Heróis Nacionais, o Presidente Francisco Tavares defende que “a luta e o percurso de Amílcar Cabral devem interpelar os políticos de hoje sobre a utilidade do que fazemos, ou seja, se fazemos o que é mais útil ao povo, com os recursos que temos”

No ano em que comemoramos o 40º Aniversário da Independência Nacional não podemos desperdiçar a oportunidade de relevar e valorizar a nossa contribuição para a emancipação de Cabo Verde, para a democracia e, em suma, em todo o processo de desenvolvimento do país.

 

Das revoltas, à vivência de Amílcar Cabral em Santa Catarina e do seu pai Juvenal Cabral, à luta política clandestina, à participação dos santacatarinenses na luta armada na Guiné-Bissau, aos sacrifícios de muitos dos seus filhos no Campo de Concentração do Tarrafal e à mobilização para a Independência Nacional, temos razões para valorizar os heróis nacionais, ainda mais porque alguns deles são deste concelho. Heroico é também o povo de Santa Catarina se tivermos em conta a nossa participação destacada no percurso para a democracia e, em geral, em todo o processo de desenvolvimento de Cabo Verde, fornecendo parte importante da elite política, religiosa, empresarial, cultural e emigrante do país.

 

É por isso que vamos assinalar o dia dos Heróis Nacionais, homenageá-los e exaltar a memória destes. Quarenta anos após a morte de Amílcar Cabral,  não há duvidas que ele saldou a sua dívida para com o seu povo, a ponto de dar a sua vida pela causa da independência.

 

Na sua interpretação do processo histórico, Hegel destaca os chamados grandes homens da História e diz: «São grandes homens porque souberam querer e realizaram algo de grande; não uma simples fantasia ou mera intenção, mas aquilo que era adequado e de acordo coma as necessidades da época».

 

Amílcar Cabral foi um dos grandes homens da História e, seguramente, o primeiro a ver a luz da independência ao fundo do túnel. A independência, a gesta do povo cabo-verdiano, tem o selo de Amílcar Cabral e nesta data saudamos os companheiros de Cabral, que foram também protagonistas da independência.

 

A luta e o percurso de Amílcar Cabral devem interpelar os políticos de hoje sobre a utilidade do que fazemos, ou seja, se fazemos o que é mais útil ao povo, com os recursos que temos.

 

É de questionar se se está a ensinar correctamente e o necessário às novas gerações sobre Amílcar e o processo da independência. É de se questionar o que é que as novas gerações sabem sobre Cabral e se já se escreveu a verdadeira historia de Cabral e do processo da independência.

 

Comemoramos o 42º aniversário da morte de Cabral e o Dia dos Heróis Nacionais com razões de muita preocupação. Este é um ano de contrariedades, sabemos que muitas famílias passam dificuldades, inclusive para alimentar-se, com casa degradada e em perigo de desabamento, com animais a emagrecer e que não poderão salvar, com hortas que estão a secar por falta de água. Famílias que passam dias difíceis, que podem tirar os seus filhos da escola.

 

Infelizmente, 42 anos depois da morte de Cabral e 40 anos após a Independência, continuamos vulneráveis, e esta vulnerabilidade interpela a responsabilidade dos políticos deste Concelho que devem estar mais próximos do povo, ser mais comprometidos com a solução dos seus problemas e menos levados pela missão político-partidária.

 

A grande questão é se os jovens de hoje vão acrescentar pelo menos igual valor, para que o nosso país continue a ganhar internamente e a ganhar a batalha da competitividade. A grande aposta deve ser para que os nossos jovens continuem a trilhar o caminho que Cabral sonhou e por que deu a sua vida, que os sucessivos governos de Cabo Verde construíram.

 

Santa Catarina foi o bastião da resistência, pois foi em Santa Catarina que se verificaram as primeiras revoltas contra as injustiças do regime colonial, ou seja, nos Engenhos (1822), Achada Falcão (1841) e Ribeirão Manuel (1910). Apos a criação do PAIGC e do início da luta armada na Guiné-Bissau, Santa Catarina tornou-se um autêntico baluarte da luta contra o colonialismo português. Cabral é orgulho dos cabo-verdianos e nós, os santacatarinenes, temos razões de sobra para esse orgulho, pois este concelho é parte do seu percurso. Por isso merece ser valorizado. Nós podemos e devemos fazer mais por Cabral. É por isso que a criação do museu Amílcar Cabral, na localidade de Achada Falcão, é uma dívida do Estado de Cabo Verde e a Câmara Municipal de Santa Catarina quer dar o seu contributo, no âmbito do memorando de entendimento entre a Autarquia e o Ministério da Cultura versando sobre a figura de Amílcar Cabral que, inclusive, prevê a realização anual de um evento internacional cujo tema deverá centrar-se na sua figura. Valorizar a memória de Cabral e dos Combatentes da Liberdade da Pátria será uma grande obra colectiva.

 

Ensinar a verdade sobre Amílcar Cabral e a independência às novas gerações, deve ser a atitude para evitar o risco da crescente indiferença dos jovens para com as grandes referências de Cabo Verde.

 

Que os jovens cabo-verdianos encontrem em Cabral uma referência de coragem, de inteligência e de patriotismo. Cabral deu a sua vida, que as novas gerações, deem o melhor das suas capacidades para continuar a realizar o sonho de Amílcar Cabral e o desenvolvimento de Cabo Verde.

 

Francisco Fernandes Tavares

Presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina de Santiago

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