O livro “Amílcar Cabral para além do seu tempo”, da autoria do cubano Oscar Aramas, embaixador na Guiné Conacri por altura do assassinato do líder do PAIGC, vai ser lançado a 16 de Janeiro, na Praia.

cabralaristidespereira620Com prefácio de Pedro Pires, um dos companheiros mais próximos do obreiro das independências guineense e cabo-verdiana retrata Amílcar Cabral como um estratega e lutador, não só da Guiné-Bissau e Cabo Verde, mas de todas as ex-colónias de Portugal, então em luta contra o colonialismo.

Para Oscar Aramas, Amílcar Cabral é “um ilustre filho de todos os povos colonizados, um homem de dimensão ética extraordinária”, que conduziu uma luta armada, em situação difícil e desigual, e que só foi vitoriosa por causa da perseverança dos combatentes, da estratégia e da pedagogia do seu timoneiro.

Por isso mesmo, considera que o assassinato de Amílcar Cabral foi consequência do “desespero” do regime colonial fascista português e da sua polícia política, a PIDE-DGS. O embaixador cubano já teve oportunidade de abordar o tema, na Cidade da Praia, em Maio deste ano, aquando da sua estada nas ilhas para participar no fórum para marcar os 80 anos de Pedro Pires.

Na altura, durante uma aula magna com os docentes e alunos da Universidade da Cabo Verde (Uni-CV), chegou a questionar se a polícia de segurança da Guiné Conacri tinha ou não conhecimento do plano secreto para assassinar Amílcar Cabral, uma questão retomada por outros investigadores ainda sem uma resposta clara e objectiva.

Oscar Aramas não tem dúvidas que a segurança da Guiné Conacri tinha conhecimento do plano secreto e que Amílcar Cabral era o avisado. A seu ver, a tragédia aconteceu porque o plano foi antecipado e recordou que Amílcar Cabral lhe tinha solicitado um encontro urgente e que ficou combinado para ser as 11:00 do dia 21 de Janeiro de 1973, um dia após a sua morte.

Por isso, presume que Cabral queria discutir com ele esse hediondo plano, tendo sido o primeiro diplomata a ter conhecimento do bárbaro assassinato e foi ele também quem deu notícia ao Presidente Sékou Touré.

 

SAPO c\ Inforpress, 6 de Janeiro de 2015