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Santo Antão: Filha reencontra mãe após 50 anos em São Tome


Santo Antão: Filha reencontra mãe após 50 anos em São Tome

Adelaide&Ramoalda_PiresAdelaide de Fátima Pires, chegou na manhã deste domingo, 02, à Cidade da Ribeira Grande, Santo Antão, após 50 anos em São Tomé, para reencontrar a sua mãe Ramoalda Adelaide Pires, 87 anos, e irmãos. A sua vinda enquadra-se no projecto “Mata Sodadi”, promovido pelo Governo de Cabo Verde, através do Ministério das Comunidades.
Adelaide Pires foi recebida na zona de Penha de Franca que a viu nascer, com muita emoção, choros e lágrimas, por irmãos e outros familiares, habitantes locais e pessoas vindas de outras localidades da Cidade da Ribeira Grande, que ansiosas, aguardavam a sua chegada. Uma demonstração clara de que a solidariedade e o sentimento da nossa de emigração persistem na cultura dos santantonenses e de cabo-verdianos em geral.

O momento mais aguardado por todos era o encontro com a sua mãe, Ramoalda Adelaide Pires, 87 anos, acamada devido à doença de Alzheimer e que já não fala. Mãe e filha separaram-se quando esta tinha apenas dois anos. Algo que foi feito à revelia da progenitora: “Apesar de a minha mãe estar doente e não poder falar comigo, consegui abraçá-la ainda com vida. Vi nos seus olhos cheios de lágrimas, que me reconheceu e que queria me dizer qualquer coisa. Agora sinto-me com mais força para, debaixo das dificuldades, criar os meus filhos mais novos”, disse Adelaide Pires, com muita emoção.

Segundo informações recolhidas junto de familiares no local, Adelaide Pires, terceira filha, foi levada para São Tome em 1962, apenas com dois anos de idade por uma tia. Devido aos problemas sócio-económicos desse arquipélago, conhecidos por todos, ela não foi para escola, a sua tia faleceu e começou a trabalhar com 10 anos para sobreviver. Hoje também ela é mãe chefe-de-família com sete filhos, o mais novo com 10 anos. Também tem netos.

Adelaide Pires foi uma das beneficiárias da terceira edição do projecto ’Mata Sodadi’, que trouxe ao país mais nove idosos cabo-verdianos, sendo um da Costa do Marfim, quatro de Portugal e quatro de São Tomé e Príncipe, originários das ilhas do Fogo, Santiago e Santo Antão, que há mais de 30 a 50 anos não regressavam à terra, sendo que muitos deles, perderam o contacto com as respectivas famílias no arquipélago.

asemana/MN/03 Novembro 2014

 

 

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