amilcar cabral-03A Fundação Amílcar Cabral (FAC) vai evocar a memória do “pai” das nacionalidades cabo-verdiana e guineense, assassinado em 1973 em circunstâncias ainda por apurar, por ocasião do 90.º aniversário do seu nascimento, em 12 de Setembro.

 

Segundo uma nota da FAC, liderada pelo ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires, as celebrações visam “relembrar” a vida e obra de um dos cofundadores do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC – 1956), que dedicou a sua vida à causa da libertação das duas antigas colónias portuguesas.

“Comemorar os 90 anos do nascimento de Amílcar Cabral é renovar os espíritos, para continuarmos a construir o Cabo Verde dos sonhos dele e nossos. É mais uma oportunidade para os jovens testemunharem e se apropriarem do seu pensamento”, lê-se na nota divulgada hoje.

Para a FAC, Cabral, morto aos 48 anos, foi um “exemplo” de um “total desprendimento”, de um “estudioso, intelectual e de convicções e ideais fortes”.

As celebrações do “12 de Setembro” (de 1924) começam com uma romaria às campas dos Combatentes da Liberdade da Pátria, no cemitério da capital cabo-verdiana, seguidas pela deposição de uma coroa de flores na estátua de Amílcar Cabral e de uma visita guiada ao respetivo memorial.

Na sede da FAC será inaugurada uma exposição de obras de e sobre Cabral, a que se seguirá, na Assembleia Nacional cabo-verdiana, o lançamento de uma biografia política do destacado dirigente da autoria de Mário de Andrade, apresentada pelo ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa.

As celebrações estendem-se também a outras ilhas de Cabo Verde, sobretudo às do Fogo e Brava, onde serão inauguradas exposições itinerantes sobre a vida e obra de Amílcar Cabral.

Amílcar Cabral foi assassinado a 20 de Janeiro de 1973 em Conacri, sede do então movimento independentista que se batia contra Portugal pela “libertação” das então colónias portuguesas de Cabo Verde e Guiné.

Até hoje, nunca foi esclarecida a responsabilidade do assassínio, ocorrido oito meses antes de o PAIGC declarar, unilateralmente, a independência da Guiné-Bissau (24 de Setembro de 1973), reconhecida por Portugal um ano mais tarde (10 de setembro de 1974). Cabo Verde só acederia à independência a 05 de Julho de 1975.

 

Fundação celebra 90.º aniversário do nascimento de Amílcar Cabral

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