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Anel Rodoviário /Fogo: “em vez de 46 mil contos, cada quilómetro custou 153 mil”.


Jorge Nogueira

Jorge Nogueira

Jorge Nogueira: “Anel Rodoviário é o maior espelho da corrupção e da gestão danosa existentes em Cabo Verde”

O deputado nacional ventoinha pelo círculo eleitoral do Fogo, Jorge Nogueira, afirmou que a “Circular do Fogo é o maior espelho da corrupção, compadrio e gestão danosa existentes em Cabo Verde”. Denuncia que “o governo construiu uma aldeia para albergar a equipa de fiscalização da obra – com dez habitações – no valor de 150 mil contos”. “Terminadas as obras”, garante, “todas as construções passaram a pertencer à família camarada do PAICV no Fogo”.
“Tudo mentira”. É assim que classifica as promessas do Primeiro-ministro, José Maria Neves, que anunciou um anel com 80 quilómetros. “Terminaram as obras e, em vez dos 80 quilómetros, temos um pedacinho de estrada”, acrescentando que “em vez de 46 mil contos, cada quilómetro custou 153 mil”.

Em conferência de imprensa esta terça-feira, 22, o deputado nacional vai mais longe e acusa: “O dinheiro que deveria servir para o anel do Fogo foi utilizado para contratos camaradas, demagogia para as eleições, uma aldeia de 150 mil contos para servir amigos do partido, Jeep V8 para o Primeiro-ministro e para a Polícia Nacional. Todos estes gastos foram incluídos nas despesas das obras do anel”.

E o rol que denúncias do deputado não fica por aqui. Aponta ainda que “em 2008 o Governo assinou com a empresa TAEP um contrato para a elaboração do projecto inicial e a fiscalização das obras do anel no valor de 107 mil contos. Passados dois anos, [o Governo] assinou com essa mesma empresa uma adenda ao contrato no valor de 118 mil contos para fazer o mesmo trabalho, enganando assim as demais empresas que participaram no concurso”.

Map of Fogo-Cape VerdeDiz que os financiadores – BADEA, OFID e Fundo Saudita – recusaram pagar o valor “dessa farsa” e, por isso, no contrato da adenda ficou escrito que os 118 mil contos seriam pagos a 100% pelo Estado de Cabo Verde. Para Jorge Nogueira, o Governo deveria ter exigido à TAEP que fizesse as devidas correcções. “Essa adenda é ainda mais vergonhosa porque esse valor – que serviria para pagar despesas que já estavam previstas no contrato de empreitada – foi pago duas vezes: uma pelo Estado de Cabo Verde e outra pelos financiadores externos”.

Nogueira considera que “a gestão danosa era previsível, uma vez que não existiam condições para dar início às obras”. “O projecto inicial apresentava-se com graves carências e falta de estudos essenciais. A equipa de fiscalização, apesar de receber tanto dinheiro, estava incompleta e ainda nem tinha chegado o chefe da equipa”, aponta e vai discorrendo: “O projecto inicial (APD) apresentava-se sem eixos definidos, o APD tinha falta de elementos importantes, como o estudo de impacte ambiental, estudo geotécnico, estudo hidráulico e o dossier de expropriação”.

 

asemena/23 Julho 2014

 

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