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“DJALÓ”, INVENTOR DO TARRAFAL: FAZ O IMPOSSÍVEL COM TELEMÓVEIS


“DJALÓ”, INVENTOR DO TARRAFAL: FAZ O IMPOSSÍVEL COM TELEMÓVEIS

Wilson DjaloO electricista Wilson Souto Semedo, “Djaló”, 33 anos, é muito provavelmente um caso único em Cabo Verde neste momento. É capaz de ligar o motor de um carro, à distância, com ajuda de um telemóvel. E, com o mesmo tipo de recurso, consegue bloquear a mesma viatura. Faltam-lhe apenas meios para desenvolver as suas capacidades e faculdades neste mundo de altas tecnologias.

Natural do Tarrafal de Santiago, “Djaló” estudou até o 8º ano de escolaridade, altura em abandonou os estudos e começou a trabalhar, aos 15 anos. Curioso e inventivo, “Djaló”, fazia (e ainda faz) pesquisas na internet, para saber como fazer as coisas e, em seguida, colocava-as em prática, na sua casa, depois na dos vizinhos, e não só.

Foi assim que começou a ganhar gosto pela electrónica, sem mesmo ter formação específica nessa área. “No começo, foi tudo por curiosidade. Hoje gosto do que faço, esta é a minha profissão e é o que eu gosto de fazer”, reforça.

Depois de muitos trabalhos bem sucedidos, todos baseados em estudos na internet, este inventor cabo-verdiano começou a ganhar cada vez mais clientes no que foi contratado para trabalhar numa empresa. “Lá trabalhei durante um bom tempo, fiz algumas formações, mas confesso nunca cheguei a concluir nenhuma. Acabei por me desvincular dessa empresa e hoje trabalho por conta própria”, afirma.

Neste momento, Djaló trabalha em casa e promove os trabalhos, através da sua página no Faceboook, “MULTI DIM Tarrafal”, onde também oferece serviços de instalação electrónica, montagem de ar condicionado, painéis solares, portões electrónicos, sons, canalização de esgotos, entre outros serviços.

TALENTO NATO

Mas não é de hoje que Djaló mostra habilidoso. Aos 15 anos já conseguia ligar todo tipo de alarmes. Hoje, na sua lista de invenções, consta ligar alarme de carros, arrancar, abaixar e subir vidros com chamadas e/ou mensagens, sempre via telemóvel.

“Fecho a televisão e o carro começa a trabalhar. Também consigo abrir o portão de uma garagem com uma chamada e ainda, após de três toques no interfone, caso a pessoa, não atender, consigo fazer com que o toque passe para o seu telefone”, vangloria-se.

“O comando para o alarme do meu carro é o meu telemóvel”, assegura Djaló, com toda a naturalidade. “Através do meu telemóvel, activo e desactivo o alarme do meu carro e, em caso de uma pessoa mexer no carro, recebo, de imediato, uma chamada a especificar se o alarme é da parte interior ou exterior do carro”.

Djaló garante que é impossível que alguém lhe roube o veículo e, no caso disso acontecer, por eventualmente não ter activado a segurança, consegue bloquear todos os componentes responsáveis para o arranque do motor, mesmo à distância, a partir do telemóvel. “É 97% seguro”, diz.

As ideias de cada um dos trabalhos, segundo este inventor tarrafalense, foram surgindo à cada descoberta. “Depois de mexer na placa de alarme, desafiei a mim mesmo e fui pesquisando, pondo em prática as minhas pesquisas. Sou persistente, se falhar, tento tudo de novo”.

CONSTRANGIMENTOS

Djaló é hoje um electricista “famoso” e muito requisitado no Tarrafal, com clientes fora do concelho. Para além de montagem de “todo tipo de material electrónico”, ainda dá os seus toques para deixar os carros mais “turbinados e modernos”.

Contudo, a falta de dinheiro e de material no mercado nacional tem sido calcanhar de Aquiles deste inventor. “Muitas vezes, não consigo pôr em prática e mostrar todas as minhas ideias por falta de condições financeiras e ainda porque o mercado de Cabo verde, em termos de peças é pobre”.

Neste momento, Djaló desenvolve os seus trabalhos em casa, mas ambiciona, futuramente, ter um espaço próprio e com todas as condições para realizar os seus inventos.

O FUTURO

Este jovem tarrafalense tem ainda nos seus planos fazer um veículo automóvel andar e mudar de rumo sozinho e abrir uma empresa, com espaço físico, no Tarrafal. “O meu desejo é dar a conhecer, a nível de Cabo Verde, as minhas invenções e, desta forma, acredito que vou conseguir abrir novos horizontes. O nosso país precisa de pessoas que promovam criações de forma a incentivar os criadores. Até então a cultura e o desporto têm sido as únicas áreas beneficiadas”, diz Djaló, lembrando que há criações e criadores em outra áreas.

“Há gente criativa em Cabo Verde que, infelizmente, ninguém conhece ou liga. Independentemente desse reconhecimento ou não, vou continuar a fazer as minhas pesquisas, na esperança de que um dia alguém se interesse ou invista em mim”, conclui.

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Fonte: anacao.cv

 

 

 

 

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