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OPINIÃO: Abram os olhos, cabo-verdianos e cabo-verdianas


Efrem Soares

Efrem Soares

Desabafo de alerta: Abram os olhos, cabo-verdianos e cabo-verdianas

É um dado certo que estamos perante uma perda de valores em Cabo Verde – “VALORES” que são transmitidos no seio das famílias, e que têm um papel importante na preparação dos sucessores da continuidade humana no seio de qualquer Comunidade e Nação.

Mas! Qual é a família que suporta uma avalanche de “invasores” na sua cultura num curto espaço de tempo?

Em situações normais seríamos nós a incutir a nossa cultura aos visitantes, sendo nós a maioria, mas o que está a acontecer em Cabo Verde é totalmente o contrário.

Somos nós a ser aculturados.

Porquê?

Porque somos vítima da desigualdade de oportunidades dentro da nossa própria terra, em relação aos vindouros. Muitos dos chamados “investidores” no fundo não passam de imigrantes que vêm a Cabo Verde, na maioria das vezes, como aventureiros, e as portas de todas as instituições abrem-se, “escancaram-se” para os receber, enquanto nós os nacionais somos submetidos a vários interrogatórios e barreiras para alcançar o nosso objectivo.

Para eles, os visitantes, basta a presença e falarem língua diferente do crioulo ou falarem crioulo com sotaque.

Há Qualquer coisa que diz na legislação cabo-verdiana, que para o investidor estrangeiro abrir qualquer negócio em Cabo Verde terá que ter como sócio um cabo-verdiano, e é só, o suficiente para lhe permitir fácil acesso às instituições do país, inclusive as bancárias, para concessão de empréstimos com toda a facilidade e naturalidade.

Com isso, nós os “Cabo-Verdianos” acabamos por desistir dos nossos projectos para nos associarmos àqueles dos investidores estrangeiros e, por conseguinte, tornarmo-nos pré-seleccionados à “corrupção”.

valores1 E o que faz o “investidor” estrangeiro?

Concede um bónus de uma assentada, ou por algum tempo, ao sócio fantasma e quando se sentir “senhor do pedaço”, desfaz a sociedade porque já tem pernas para andar, pois já conhece todos com quem poderá contar e vice-versa, principalmente a classe política que é o principal alvo, e está tudo feito e dito.

Agora, digam-me como é que as pesssoas não enveredam para a “falcatrua”, se são obrigadas pela própria sociedade a enveredar por esse caminho? E, é a mesma sociedade que, com o tempo, passa a colher o que plantou. Actualmente em Cabo Verde todos querem é vida fácil e quanto a trabalho que é bom, nada!

Querem emprego que lhes dê, logo no primeiro mês, a possibilidade de sonhar com a aquisição de carro e/ou casa, colocar os filhos em escolas privadas, frequentar os melhores lugares, vestir as melhores marcas, enfim, tudo o que a seus olhos pareça melhor em termos materiais.

Por outro lado, esquecem-se que têm a responsabilidade de manter e fazer perdurar os valores culturais.

Passamos para o seio das nossas famílias, valores que bem entendemos, sem ter em conta a sociedade em que estamos inseridos. Daí, aquele que não tiver a mesma sorte está de olhos postos nos sortudos.

E o que acontece?

Famílias humildes, pilares da cultura que normalmente lutam para manter os valores, acabam por tornar-se impotentes porque quanto aos filhos, “classe juvenil” da mesma geração, a tendência é para homogeneizarem e passam a ignorar os valores que são transmitidos pelos pais, isso porque as possibilidades das famílias humildes só lhes permitem dar aos filhos, o “culucutu”.

Sabendo, que um colega possui pertences da marca “Adidas”, logo terá de os obter também, a qualquer preço, e assim os sufocos começam e vão por aí fora, até que chegam a um ponto em que as energias emergentes vencem as imergidas. Isso torna-se mais evidente no campo da tecnologia, principalmente a informática. Os valores das famílias, “Cabo-Verdianas”, estão cada vez mais longe da realidade vivida actualmente.

Poderão constatar na prática aquilo em que os jovens hoje normalmente se entretêm nos intervalos das aulas e nos momentos de lazer!

Com computadores portáteis, tablets, ipods, etc., com acesso a filmes pornográficos, filmes de todo o tipo e gosto enquanto os outros entretenimentos culturais, desportivos e recreativos, vão ficando para trás.

Para reverter a situação, se ainda for possível, teremos todos de fazer um grande esforço para mudarmos de atitude, começando por aqueles que elegemos para nos conduzir e pela população de um modo geral, para encontrarmos juntos os valores que nos podem servir daqui para a frente e “radicalmente” os assumirmos, caso contrário se continuarmos à espera, poderá ser tarde de mais e aí será o caos.

Lembremos os nossos irmãos do Zimbabué que, cansados viver à margem, passaram a apoderar-se dos bens dos outros, com razão, ou injustamente.

A meu ver desenha-se o mesmo cenário em Cabo Verde, criado por nós para os nossos herdeiros.

Porquê?

Por causa da desigualdade de oportunidades e da corrupção e lavagem de capital desenfreada que está apoderando-se do País.

Só um pequeno exemplo: Os “investidores estrangeiros” conseguem autorização para abrir negócios num espaço de tempo curtíssimo; grandes hotéis, pequenos hotéis, residenciais, terrenos para construção de vivendas, grandes armazéns para importação, fábricas, restaurantes, empresas de construção civil, agências de viagem, lojas para vendas de roupa, géneros alimentícios, bebidas, inclusive grogue a retalho, peças auto, transporte colectivo para turismo e de aluguer individual, vendas de bijuterias e drogas nas ruas, prostituição, perseguição de turistas nas ruas, guias turísticos, padarias, etc, sem falar da desigualdade fiscal que é a mais pura realidade.

Estamos a vender terrenos e casas nos centros urbanos para os “investidores” estrangeiros ocuparem, e refugiarmo-nos na periferia.

Nós não somos contra a vinda de estrangeiros a Cabo Verde, e exercerem qualquer tipo de negócio e profissão, desde que seja de forma lícita e dentro de uma plataforma de igualdade de oportunidades.

Tanto é que somos um País de emigrantes e não há como escapar da globalização.

Resta saber como é que os nossos netos vão entender as nossas atitudes e desmandos.

Reflictamos!

Contribuição do cidadão atento.

 

Por Efrem Soares / asemana

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