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OPINIÃO: A NOSSA CULTURA É A NOSSA IDENTIDADE NOS EUA


A NOSSA CULTURA É A NOSSA IDENTIDADE NOS EUA

A visita do Dr. Mário Lúcio Sousa, Ministro da Cultura de Cabo Verde aos Estados  da América, mais precisamente ao norte da Nova Inglaterra, a meu ver, foi uma visita oportuna, muito informativa e bem-sucedida.

 

carlos-tavaresTenho plena consciência que a natureza dos homens faz-nos querer sempre mais e nunca conformar com o que temos. Isso para dizer que percebo e tenho a exacta noção que a estada do nosso governante para uns foi bom, para outros nem tanto. Aliás, a sabedoria popular já dizia, que nesta vida nunca podemos comprazer “a gregos e a troianos”.  Por isso que a vida confia a cada um de nós a liberdade e o direito de analisar de forma diferenciada a estada do Ministro da Cultura nas terras do Tio Sam, se ela cumpriu ou não os desígnios esperados pela comunidade crioula.

 

Só que para que essas apreciações sejam objectivas e para o bem da nossa comunidade, elas devem ser despidas de paixões diversas em especial da partidária e do preconceito. Desta forma teremos  mais discernimento mental e maior capacidade de ponderar em consciência o que é melhor para esta comunidade e consequentemente para Cabo Verde. Aliás, tudo o que dizemos ou escrevemos devemos fazê-lo de forma reflectida e responsável, devemos ser convictos e sérios.

 

MC_Mayor_BrocktonA visita de um dos Ministros mais populares do actual executivo chefiado de forma sábia pelo Dr. José Maria Neves, surpreendeu-me pela positiva, ao ouvi-lo dissipei algumas duvidas negativas que me acompanhavam, todas originadas pelo maldizer de alguns músicos aqui radicados. Aliás, essa situação faz-me, mais uma vez recorrer ao saber plebeia que diz “…não te esqueça que quando apontas um dedo a alguém, quatro estão viradas para ti”.

 

A permanência do Ministro da Cultura nos EUA, veio demonstrar que a nossa cultura está sã e goza de boa saúde no seio da comunidade crioula, ao contrário do que muitos dos nossos patrícios, remando contra mar, insistem em fazer-nos crer com inverdades e fofocas, uns de forma involuntária por falta de informações e outros de má-fé.

 

Aproveitaria, já agora, para lançar um apelo a todos os governantes de Cabo Verde, que não ficaria nada mal se cada um programasse, pelo menos uma visita por legislatura aos Estados Unidos, para partilhar e interagir connosco o programa de governação do nosso querido país. Devem ter a consciência, que a emigração cabo-verdiana, mormente a dos EUA desempenha um papel primordial no desenvolvimento e transformação de Cabo Verde. Esse apelo é extensivo às associações existentes aqui na América do Norte para não ficarem de braços cruzados a espera  que este ou aquele ministro agende uma visita aos EUA. Que tomem a iniciativa de programar encontros, debates, conferências, workshops e convidar os nossos governantes a apresentar temas candentes e de interesse para a nossa comunidade e consequentemente para Cabo Verde. Não poucas vezes lamentamos ausência dos nossos ministros nos Estados Unidos, mas nunca fazemos nada para eles cá virem! Temos que dizer basta a este modus operandi aqui nas terras do Tio Sam e ser um pouco mais empreendedores e mais diligentes para fazermos as coisas acontecerem de acordo com as nossas necessidades e vontades.

 

Mario LucioMário Lúcio, “o menino prodígio do Centro de Instrução Político Militar “Zeca Santos” em Tarrafal de Santiago” desde muito cedo mostrou ser um defensor de causas, e hoje, Ministro da Cultura de Cabo Verde, uma pasta exigente em qualquer latitude, mormente em Cabo Verde que é um país eminentemente cultural e que transpira cultura em todas as ribeiras e cutelos e que apresentam-na cultura como a sua bandeira. Cabo Verde sem cultura é como uma ave sem asas. E, Mário sendo um homem da cultura por excelência, e que conheci ainda menino aquando da minha passagem pelo Tarrafal em 1976, revelou-me nessa sua passagem por terras de Obama, igual a si próprio.

 

Estou certo que os encontros públicos que ele manteve com homens da cultura, músicos, artistas plástico, escritores, compositores e curiosos como eu, serviu para esclarecer muitas desconfianças que permanecia nas suas mentes, principalmente daqueles ligados à música que banalizavam-no e acusavam-no de comportamento discriminatório em relação aos da Europa.

 

mc_museubaleia_2Deu-me gozo constatar a reacção do público, quando o Sr. Ministro respondia às perguntas feitas em que aclamavam com satisfação. Aliás, depois das explicações dadas pelo Dr. Mário Lúcio, nenhum interveniente pediu de novo a palavra para descordar ou pedir mais explicações. Aprendi muito nessa reunião, e  tomei conhecimento de muita coisa como estar na forja a criação da Casa de Cultura nos EUA e a existência de um Banco de Cultura em Cabo Verde. Aproveito esta oportunidade para aqui e agora, disponibilizar-me e a incentivar os homens ligados à música a seguirem o conselho do Sr. Ministro da Cultura a se juntarem em Associação, entidade que passaria a os representar e a defender os seus interesses. Apesar de não conhecer uma nota musical sequer, predisponho a engajar e ajudar na constituição desta associação. Não devemos esperar que o Ministério da Cultura aja por nós. Temos que ser nós a agir para um melhor Cabo Verde.

Como não podia deixar de ser, sempre nas visitas dos nossos governantes aos EUA, aparecem gentes do contra, uns com alguma razão, outros por birra e alguns por dar satisfação ao seu ego, ou melhor ao seu partido. E a estada do Ministro da Cultura não fugiu a regra, apareceram algumas vozes isoladas a fazerem ruídos, e que nem estiveram presente nos encontros.

DSC_6330Uma outra situação que tem afectado e inquieta muito a nossa comunidade nas visitas dos nossos governantes e que precisa ser mudada tem a ver com a falta de pontualidade das nossas gentes. A título de exemplo avanço com a deslocação do Dr. Mário Lúcio ao Rhode Island, onde estava agendada um encontro na sede do CACD para as 17 horas do dia 15 do mês em curso. Mantendo-se fiel ao horário caboverdura, não obstante estarem centenas de pessoas a hora marcada no local indicado, o ilustre convidado só compareceu às 18horas e trinta e cinco minutos, portanto, quase duas horas mais tarde, atraso este justificado pelo engarrafamento na estrada 93  e do surpreendente encontro com o Presidente de Câmara de Brockton. E, como consequência, a maioria das pessoas interessadas em auscultar as informações trazidas pelo nosso visitante, por motivos ponderosas, foram forçados a irem embora, ficando apenas os mais persistentes como eu, que manteve no local impávido e sereno. É certo que os que ficaram, não deram o seu tempo por perdido visto que aguardaram o meeting ao som da batucada Sodadi, e deleitaram com as sábias palavras e frescas informações trazidas pelo Sr. Ministro.

 

No dia seguinte ao encontro de Rhode Island, o Ministro da Cultura voltou a reunir com os homens da cultura só que desta vez em Massachussets, na cidade de Quincy, no Salão nobre do Consulado. Embora não sendo artista resolvi marcar presença, também nesse meeting.

 

mc_consuladoA reunião estava agendada para às 17 horas, e como a distância era curta, menos de uma hora do meu  Estado, decidi  sair de casa às 15 horas e trinta minutos, com o propósito de chegar ao encontro a tempo e horas. Não obstante ter tomado todas essas precauções, a mãe natureza atraiçoou-me, obrigando-me a chegar ao local do meeting por volta das 18 horas. Felizmente, que só perdi a primeira parte do programa que era a musical e de convívio. Eu, e outros provenientes  de Rhode Island, estivemos acurralado na estrada 93 North por quase 3 horas de tempo. Este episódio, obrigou-me a um pedido de desculpa a Senhora Gunga Tavares, por no dia anterior ter-lhe demonstrado a minha irritação com o atraso, e bem justificada por ela.

 

Fazendo a súmula da visita do Dr. Mário Lúcio aos EUA que considero oportuno e proveitoso, devo destacar a posição assumida pelo Consulado de Cabo Verde, na pessoa do seu representante máxima Senhor Cônsul Geral Pedro Graciano,  dando sequência ao excelente trabalho que vem desempenhando em prol da nossa Comunidade, que é a de, doravante, ser o elo de ligação entre a nossa emigração e o Ministério da Cultura, para melhor responder aos anseios dos nossos artistas. Transformando-se assim em uma extenção daquele Ministério nos EUA.

 

Terminando, gostaria de parabenizar a direcção do CACD pela composição da mesa de honra, por conseguir colocar na mesma mesa o Deputado Nacional da oposição e o Presidente da Câmara da Brava. “Asi ki debi ser, politika tem se mumenu. Nu debi djunta senpri ki asuntu é Cabo Verde ” Li na Merka nu tem ki marka diferensa.

 

Parabenizar a todos os orgãos de Comunicação Social, presente no CACD e no Consulado de Cabo Verde. Afinal, o alerta de boicote “morre na ribeira”

 

Carlos Tavares

Pawtucket,22 Janeiro 2014

 

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