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OPINIÃO: OS “PECADOS” DO CONSULADO DE CABO VERDE NOS E.U.A.


 OPINIÃO  OS “PECADOS” DO CONSULADO DE CABO VERDE NOS E.U.A.

cape-verde-consulate-pedro chantreA visita aos E.U.A. do Ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa, que terminou esta sexta-feira, 17 de Janeiro, ficou marcada com altos e baixos, sobretudo pela falta de pontualidade.

Este título, “Pecados do Consulado”, relacionado com a visita do Ministro, parece forte mas traduz, exactamente, o que se passou e vem acontecendo nesta comunidade.

No que diz respeito a esta visita, para trás ficou um sentimento de apenas uma passagem “relâmpago” com muitos assuntos que se tinha para tratar.

Como se sabe a emigração cabo-verdiana, sobretudo nos E.U.A., tem uma forte raiz, componente e ligação cultural com Cabo Verde.

O tempo da estadia na comunidade do Ministro Mário Lúcio foi curto, as actividades programadas – em cima do joelho – foram em demasia. Inclusive, algumas tiveram que ser cortadas e outras nem se realizaram. Mal se saia dum encontro se entrava noutro.

Comenta-se que há um jogo de interesses entre as várias organizações na comunidade em que o Consulado por querer responder a todos acabou por se comprometer.

Algumas pessoas afirmam que pareciam visitas de cortesia do Presidente da República ou Primeiro-ministro, quando se espera que a deslocação do Ministro da Cultura seja mais técnica, cuidada e produtiva.

Possível causa da Visita

Será que foi uma visita politica em vez de técnica para tentar camuflar ou contrariar o artigo de opinião, que saiu neste portal, que acusava o Ministro da Cultura de estar a demorar em visitar esta comunidade?

O artigo foi reeditado e divulgado por outros meios de informação.

Como é possível tão rápido se preparar a visita do Ministro da Cultura quando em vésperas da sua chegada ainda não se tinha um programa definido?

O activista e elemento de média, Carlos Spínola, comentou que a decisão do Ministro da Cultura em querer visitar a comunidade cabo-verdiana dos E.U.A. foi consequência e terá surgido depois do tal artigo “É hora do Ministro da Cultura colocar os pés na comunidade nos EUA” (ver link em baixo).

Se foi ou não, o facto é que, esta pressa foi a inimiga da execução.

Em várias situações, o Consulado de Cabo Verde Verde nos E.U.A. já foi acusado e defendido mas, em abono da verdade, os “Pecados” continuam a ritmo crescente e acelerado.

Em Junho do ano de 2012 o Ministro da Cultura esteve nos E.U.A., também, para participar num encontro em Nova Iorque mas, não visitou a comunidade.

 

Impontualidade

Os grandes atrasos, uma vez mais, foram motivos de críticas. O Cônsul Pedro de Carvalho e seu “staff” pecaram pelo irrealismo que resultou em falta de respeito. Como se sabe, nos E.U.A., se diz que “time is money” (tempo é dinheiro).

As autoridades cabo-verdianas nos E.U.A. já deviam ter aprendido a lição.

Já era tempo suficiente para o Cônsul Pedro de Carvalho ter aprendido a medir as distâncias, imprevistos e deixar de aprovar programas de visitas com actividades em cima do joelho.

Consta que, em todos ou quase todos os encontros, o Ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio, chegou súper atrasado, inclusive, existiram casos gritantes de mais de duas horas de demora.

O activista David Barros, em carta aberta ao portal diariocv, foi crítico em relação ao atraso da delegação, de mais de duas horas, para se chegar à CV Progressive Center “CV Center”, na cidade de East Providence, estado de Rhode Island.

“Vexame”

david barros

David Barros

David Barros comparou “o sucesso e a euforia” da recepção do Ministro nas instalações da Cape Verdean American Community Developmen (C.A.C.D.) com a “frustracão, ansiedade e vexame” na “CV Center”.

Ele que diz ter estado presente confirma que foi uma vergonha na “CV Center”, que convidou personalidades influentes como um antropologista americano, o primeiro Mayor cabo-verdiano de East Providence e o primeiro Chefe policia cabo-verdiano de East Provicence.

O mesmo mostrou-se, ainda, indignado porque personalidades da cidade de Cape Cod, que conduziram uma distância de 2 horas para atender ao encontro, ficaram a aguardar pela comitiva.

Ele disse que “entre desabafos e frustações” cerca de “cinquenta pessoas acabaram por abandonar a sala, por considerarem tamanha falta de respeito, consideração e humilhação a que foram sujeitos”.

David Barros acrescentou que “o trabalho que tem sido feito no sentido de incluir todos os caboverdianos-americanos no processo de desenvolvimento do nosso país sofreu um rasgo enorme e não pode ser ignorado”.

Consequências

Não há desculpas que possam justificar este descalabro.

Para a próxima, de uma forma ou doutra: ou as entidades cabo-verdianas nos E.U.A. programam menos actividades, atribuem mais tempo e dão mais espaço à distância de deslocação; ou, por e simplesmente, se estende o prazo de estadia dos visitantes.

A falta de pontualidade constante durante as visitas das entidades cabo-verdianas nos E.U.A. tem sido considerada um insulto.

Isso se tem verificado e não há forma para o Consulado debelar esta situação  inquietante e desrespeitosa.

As autoridades cabo-verdianas locais têm responsabilidades públicas e deixam a imagem do país marcada pela negativa.

Esta impontualidade pública pode causar desconfiança em relação ao cumprimento dos compromissos.

Como se quer mobilizar capacidades e investidores externos se os representantes da diplomacia não cumprem horários?

Médias não comparecem à Conferência de Imprensa

Ainda sobre a visita do Ministro da Cultura, estava prevista a realização de uma conferência de imprensa que não aconteceu. Uma vez mais, os médias não responderam nem compareceram ao apelo do Consulado de Cabo Verde.

Este é outro assunto que tem merecido críticas no seio da classe.

O “blackout” já dura e não se vislumbra um fim. Existe uma desmotivação quase generalizada para dar cobertura às visitas oficiais de entidades e dirigentes políticos cabo-verdianas nos E.U.A..

Elementos da Nobidade Tv, que entrevistaram o Ministro da Cultura, revelaram não ter recebido a atenção desejada por parte da adida cultural do Consulado de Cabo Verde, Gunga Tavares. Os mesmos dizem que o tempo de duração previsto para a entrevista era de 15 minutos mas conseguiram pouco mais de 5 minutos. Ainda, confirmaram que o Cônsul desculpou-se pelo atraso e por ter reduzido o tempo estipulado.

Cada momento que passa são menos os elementos de médias que comparecem aos encontros promovidos pelo Consulado. Já não se consegue realizar conferências de imprensas. Isso foi, uma vez mais, patente na mais recente visita do Ministro da Cultura.

Quinta-Feira, 16, o Consulado procurou realizar uma conferência de imprensa mas ficou apenas pelo encontro com o público.

Os elementos de média reivindicam compensação (não pagamento), pelo menos, pelas despesas logísticas (combustível e alimentação) quando solicitados para darem cobertura às actividades promovidas ou coordenadas pelo Consulado.

Falta de Frontalidade do Cônsul

pedro-carvalhoO Cônsul de Cabo Verde nos E.U.A., Pedro Carvalho, tem procurado ignorar o assunto ou parece não querer apresentar solução para esta reivindicação.

Falta ao Cônsul a frontalidade e consideração para dar resposta às preocupações e reivindicações.

Quando o Cônsul não consegue responder “sim”, ele se esconde para não dizer “não”. Ele não responde a emails muito menos mensagens deixadas.

Como se sabe nos E.U.A. existe um número considerável de média comunitária cabo-verdiana mas, são alguns que dão cobertura sistemática às tais visitas oficiais.

Se média é considerada “ponte” de ligação e intermediária entre o poder e o público; se o Cônsul ignora esta ligação; de que maneira um cidadão comum poderá se aproximar desta entidade?

Reivindicação de médias e organizações

A reivindicação da compensação não é apenas de médias mas, também, é um sentimento partilhado pelas organizações comunitárias que proporcionam logística.

A militância é o pilar do patriotismo mas, não se pode se escudar na boa vontade dos profissionais e organizações locais que, também, têm os seus compromissos.

Os médias locais têm comentado quando as entidades são acompanhadas por jornalistas oriundos de Cabo Verde, o que pressupõe serem pagos, não só pelo órgão onde trabalham como pelo Estado cabo-verdiano ou pela entidade em causa.

Fala-se que existe um orçamento para cobertura mediática e organizações comunitárias no exterior.

Existe ou não esta verba? Por que razão os deputados pela emigração, no caso das Américas, Sidónio Monteiro (PAICV) e Cândido Rodrigues (MpD), não trazem para conhecimento da opinião pública esta e outras preocupações?

Mau Serviço de Telefone no Consulado

Não menos importante é o sistema de telefone instalado no edifício do Consulado de Cabo Verde em Quincy.

Desde o Verão passado que se detectou um problema grave com o sistema de atendimento de telefone.

Quando o Consulado ficava sediado em Boston, a qualquer momento podia-se deixar mensagem, a secretária electrónica, “Voice Message”, estava gravada na voz da Adida Cultural, Gunga tavares, em crioulo e inglês. A informação era actualizada, dava várias opções, inclusive informava os dias feriados em Cabo Verde e nos E.U.A. em que os serviços consulares estavam encerrados.

Neste momento, apenas fora do horário normal de expediente que se escuta a informação e não se pode deixar mensagem. O que não é compreensível e admissível neste país com tecnologia de ponta.

Actualmente torna-se difícil apanhar a linha e muitas vezes o telefone se desliga como se se fosse de propósito. Isso causa incomodo e, mesmo, frustração às pessoas.

Se existe dúvida é só experimentar para constatar ligando para o número do Consulado (617) 353.0014.

Ainda por cima, o público não tem conhecimento de uma linha de emergência.

Casos de Emergência

Como é possível, em caso de emergência, um cidadão cabo-verdiano poder contactar os serviços consulares?

Consta que foi contratada uma empresa privada em Cabo Verde, Nosi, para instalar este novo sistema que está ligado com uma rede em Cabo Verde, que é controlada pelos serviços telefónicos de Portugal.

Por que razão se decidiu depender do sistema de comunicação com Cabo Verde? Quais as vantagens e inconveniências?

No Verão passado foi chamado a atenção do Cônsul que prometeu resolver o assunto mas, passados estes largos meses, ainda nada.

Este novo sistema não responde às necessidades da comunidade e deve ser corrigido.

De recordar que em Março completa-se um ano em que os serviços consulares passaram do centro da cidade de Boston para Quincy.

 

Por: Pedro Ben’Oliel Chantre

 

“Link” do Artigo: “É hora do Ministro Da Cultura colocar os pés na comunidade nos EUA” – http://nobidadetv.com/archives/5123

 

 

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