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Jorge Carlos Almeida Fonseca “A morte de Eusébio deixou-me deveras triste”


Eusebio3A morte de Eusébio deixou-me deveras triste, muito triste. Sabia de sua doença, conhecia as fragilidades de sua vida mais recente, mas o desaparecimento de uma lenda, de um ídolo, de um gigante como Eusébio apanha-nos sempre desprevenidos para a dor que, então, nos dilacera a alma.

Cresci, menino e adolescente, com Eusébio, nos relatos da rádio, nas leituras de «A Bola», ainda com 8-9 anos de idade, por empréstimo de Mário Rui Pais, nos cromos, nas discussões na rua Sá da Bandeira, na Ponta Belém ou na Praça Alexandre Albuquerque, com o Mário Rui, o Manel «Bucha», o José Tomás ou o Tcheca. Formei-me com Eusébio, dormi, sonhei e briguei por Eusébio.
Mas ainda pude ver Eusébio ao vivo, deliciar-me com o perfume do seu futebol, a magia de sua arte, a elegância de seus gestos felinos e a genialidade de sua técnica em velocidade insuperável. Ele foi ímpar. Igual ou melhor do que ele? Nestas coisas, a subjectividade, o tempo, os registos de memória, a maior ou menor dimensão mediática de cada tempo, podem decidir. Mas para quem pôde ver Eusébio, como eu felizmente pude, mesmo tendo visto jogadores extraordinários, fabulosos, como Maradona, Best, Beckenbauer, Cruyff, G. Müller, Cristiano Ronaldo, Messi, Romário, Rivelino, Tostão, Gerson, Ibrahimovic, Figo, Neymar, Ribery, Zidane, Platini, Zagalo, e tantos outros, dificilmente não dirá que Eusébio foi único, foi o melhor. O que ele fez os outros não faziam nem fizeram. Igual ou melhor? Sim, talvez o enorme Pelé, o brasileiro, o rei dos reis.

2550_453171251458129_25008258_nImagine-se Eusébio hoje, com as televisões todas, a publicidade, os dinheiros à volta, os empresários, os comentadores, facebooks, redes sociais, internet, twitter etc., como seria, uma loucura de jogador.
Não posso seriamente avaliar o homem ou o cidadão, pois não privei com ele. Conheci-o pessoalmente há poucos anos, estando eu em campanha eleitoral, no Estádio da Luz, através do «Príncipe». Mas retive a ideia de um homem bom e simples, mas talvez um pouco ferido pela injustiça relativa como a sua genialidade foi, ainda assim, reconhecida.
Mas aqui e fundamental é o futebolista, o desportista. Nisto Eusébio foi génio, soberbo, inigualável, príncipe perfeito, diria.

 

-Jorge Carlos Almeida Fonseca

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