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OPINIÃO: Tanta pressa para grande castigo.

PEDRO-CHANTREDEFICIENTE VIDEO-CONFERÊNCIA DO MINISTÉRIO DAS COMUNIDADES DE CABO VERDE NOS E.U.A.
O Ministério das Comunidades de Cabo Verde realizou nos E.U.A., no passado sábado, 5 de Outubro, duas sessões de vídeo-conferência de salas quase vazias, sem devida preparação, destinadas aos responsáveis associativos.
Apesar da boa intensão, a sessão de video-conferência do Ministério das Comunidades de Cabo Verde nos E.U.A. foi deficiente devido a fraca divulgação, debilitada abordagem, débil acompanhamento e medíocre implementação.
Este evento interactivo foi realizado em dois lugares separados, em diferentes horários, nas sedes da associação cabo-verdiana CACD (Cape Verdean American Community Development), na cidade de Pawtucket – em Rhode Island, e MAPS (Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers) em Dorchester – Massachusetts.
Falta de Cooperação Institucional e Propaganda Deficiente
Uma fonte do Ministério das Comunidades de Cabo Verde confidenciou que o Consulado de Cabo Verde em Boston – que deve ser o elo de ligação e instituição responsável pelo governo de Cabo Verde nos E.U.A. – não quis cooperar neste evento. Neste caso não se entende como, teimosamente, o Ministério decidiu avançar à pressa com a vídeo-conferência sabendo, de antemão, que poderia não conseguir reunir as condições essenciais.
A propaganda deficiente do Ministério das Comunidades informa que a iniciativa visava “uma consulta à diáspora que está inserida na elaboração da Estratégia Nacional de Emigração e Desenvolvimento” tendo como estratégia constituir “um plano a nível nacional que relacione de forma positiva a emigração e  o desenvolvimento”.
Consta que compareceram na sede da CACD cerca de 5 pessoas, incluindo dois dirigentes, e pouco mais de uma dezena marcaram presença na sede da MAPS.
Para se concretizar a iniciativa foi um “corre-corre” atrás de espaços e equipamentos, não foram reunidas as condições logísticas que seriam de esperar e se verificou muita dificuldade técnica para se manter a ligação via internet.
Língua de Comunicação nos E.U.A. deve ser em inglês ou crioulo
“Foi bom pontapé de saída mas precisavamos, pelo menos, um mês de antecedência para mobilizar pessoas e reunir as condições técnicas indispensáveis”, confessou um dos organizadores de última hora.
Por um lado falou-se e por outro tentou-se falar português, a partir de Cabo Verde, o que é uma aberração, tendo em conta que a lingua de Camões não representa a opção indicada para um encontro que se pretende atingir os emigrantes cabo-verdianos nos E.U.A. Este é mais um aspecto que merece reparo por parte dos nossos dirigentes.
A lingua de comunicação na nossa comunidade nos E.U.A. deve ser em inglês ou crioulo.
Igualmente algumas perguntas feitas por participantes nos E.U.A. não foram respondidas quando se esperava que fosse um diálogo e não monólogo.
Aguarda-se pela segunda sessão

Alguns participantes da primeira sessão dizem aguardar por uma segunda melhor edição de vídeo-confêrencia que deverá ser melhor preparada, coordenada e divulgada.
Igualmente, comenta-se que o Ministério das Comunidades voltou a mandar novo e longo documento pedindo resposta urgente até o dia 10 de Outubro como se os responsáveis associativos se tratassem de funcionários, empregados ou obrigados a cooperar.

Uma vez mais, convém relembrar que cada comunidade tem as suas especificidades que importa considerar e respeitar.
Não é a primeira vez – longe disso – que as entidades cabo-verdianas pretendem carregar iniciativas de Cabo Verde aos E.U.A., como se se estivesse em Cabo Verde, não tendo em conta os constrangimentos ou disparidade da comunidade cabo-verdiana, ainda por cima sem consultas prévias e sem dados confirmados.
Vergonha e Respeito
Pode-se afirmar que expedientes sistemáticos do género, diga-se teleguiado, podem ser interpretados como desrespeito às pessoas que estão no terreno e sabem melhor do que ninguém como se manobra na terra do Tio Sam. Haja vergonha e respeito para com esta comunidade!!!
Há algum tempo que a vídeo-conferência estava a ser temperada mas, por razões e interesses não divulgados, só foi dado a conhecer – para não se fugir à regra – no último instante, por isso acabou por ficar mal cozinhada.
Os expedientes só mereceram maior cuidado e começaram a ser concretizados 3 dias antes do evento, exactamente, no dia em que a Ministra das Comunidades regressou a Cabo Verde dos E.U.A.. Ela fez parte da delegação que acompanhou o primeiro-ministro, José Maria Neves, que participou no encontro anual das Nações Unidas em Nova Iorque.
Será que o assunto terá recebido um empurrão ou puxão de orelhas por parte da Ministra Fernanda Fernandes logo assim que ela chegou a Cabo Verde?
Documento para ser devorado
Nos tais 3 dias antes da reunião da vídeo-conferencia, foi enviado pelo Ministério das Comunidades de Cabo Verde um documento com cerca de 70 páginas para ser apreciado ou – na melhor das hipóteses – ser devorado, assim como o resumo dos 8 pontos que, segundo o Ministério seriam discutidos e visam “aumentar o âmbito e o impacto do engajamento e contributo da diáspora no processo de desenvolvimento de Cabo Verde”.
É caso para se perguntar: De que maneira? Porquê tanta pressa para grande castigo? Será que o comportamento do Ministério das Comunidades pode ser levado a sério?
8 Pontos para discussão
Os 8 pontos destacados pelo Ministério das Comunidades nas sessões foram:

(1) Facilitar e Preparar os Fluxos Emigratórios;

(2) Apoiar a Integração das Comunidades nos países de destino;

(3) Conhecer a Diáspora e as Dinâmicas de Migração;

(4) Reforçar os Laços e Promover o Diálogo e Informação entre Cabo Verde e a Diáspora;

(5) Facilitar e Atrair o Envio de Remessas e Fomentar o Contributo Solidário;

(6) Fomentar o Investimento em Cabo Verde, o Comércio Internacional e o Mercado di Terra na Diáspora;

(7) Mobilizar as Competências da Diáspora;

(8) Enquadrar o Retorno e a (Re) Integração da Diáspora
Contatos não concretizados e salas vazias.

Há cerca de uma semana um colega de comunicação social me tinha alertado que o Ministério das Comunidades queria organizar este evento mas não sabia como faze-lo de forma eficaz.
Também tive a preocupação de contactar outras pessoas que, há muito estão no terreno e sabem como manobrar de forma aceitável iniciativas do género, me confessaram que foram sondados mas o processo não mereceu continuidade e devido acompanhamento.
Todos são de opinião que a ideia é boa mas pecou pela forma de abordagem e implementação.
Contudo, algumas pessoas e organizações foram envolvidas neste processo coxo que passou despercebido e deu no que deu. Um autêntico “desaire” de sala vazia.

Anterior Artigo de opinião já alertava

Em outro artigo de opinião intitulado  “JOSÉ MARIA NEVES COM MENOS COBERTURA MEDIÁTICA NOS EUA”, publicado neste portal a 30 de Setembro passado, chamamos a atenção sobre vários assuntos, nomeadamente a fraca cobertura da visita por parte da média comunitária bem como a intenção de se realizar actividades paralelas sem devida preparação ou enquadramento.
A maioria dos colegas de mídia tem reclamado pela forma como as entidades cabo-verdianas têm se relacionado com a média comunitária, procurando usar e abusar deste imprescindível veículo de informação.

Mais fraca cobertura mediática de sempre ao PM de Cabo Verde

Na altura, algumas pessoas tentaram encobrir ou camuflar a mais fraca cobertura de sempre da visita de um primeiro ministro de Cabo Verde aos EUA. O que prevíamos acabou por acontecer. E a ministra da comunidade, também, acabou por apanhar de tabela.
Foi realizada na sala re reuniões do Consulado de Cabo Verde na cidade de Quincy, estado de Massachusetts, um encontro com a Ministra que, também, teve fraca participação, antevendo um futuro de iniciativas das entidades com salas vazias.
Ela mal chega a Cabo Verde, no dia seguinte, 3 de Outubro, os seus funcionários entraram em contacto com algumas individualidades na comunidade cabo-verdiana dos E.U.A. para tentar materializar a tempo recorde, diga-se “expresss” a vídeo-conferência, que não conseguiram preparar em meses.

Sugestão e Conclusão:?

Como forma de sugestão, propomos que esta comunidade seja mais respeitada e ouvida e que a próxima sessão de vídeo-conferência – se vier a acontecer – seja melhor organizada e divulgada.?Propõe-se, antes de se pretender lançar uma conferência, criar uma Federação ou coisa parecida, para procurar trabalhar com as associações, envolver pessoas que tenham capacidade de dissociar de todo e qualquer influência político-partidária, que não sejam “meninos d’recôd” ou “satélites” mas, cidadãos independentes.?Não basta ter uma base de dados, lista com a maioria das organizações, partir do pressuposto que é suficiente para se avançar com projectos a partir de Cabo Verde sem bases sólidas nos E.U.A..

Todos sabem que as associações são dispersas, carecem de problemas variados e precisam, antes de mais, de uma atenção personalizada e cuidada.?Em jeito de conclusão é caso para se afirmar que é preciso estar atento e ter saco para aguentar tanta coisa.

Por: Pedro Ben’Oliel Chantre
pedro chantre-125x125A Coluna de Pedro Chantre no portal Nobidadetv.com passa a ser uma rubrica de opinião, que será apresentada no início de todas as semanas, sobre os assuntos que vão marcando as comunidades e vivência cabo-verdianas.

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