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OPINIÃO: JOSÉ MARIA NEVES COM MENOS COBERTURA MEDIÁTICA NOS EUA

PEDRO-CHANTREO primeiro ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, está de visita aos E.U.A. para participar em actividades oficiais e encontros com a comunidade.

A cada momento que passa, ao contrário do que seria de esperar, as entidades cabo-verdianas recebem menos cobertura mediática nos EUA.

Em seis meses, em duas visitas aos EUA, o primeiro-ministro, José Maria Neves, acaba por se confrontar com esta situação.

Não são apenas as entidades mas, também, actividades a receberem menos divulgação de média comunitária, quanto mais não seja alguns já sucumbiram ou estão na agonia.

Não é por falta de assunto ou matéria mas, por falta de entendimento ou envolvimento por parte das entidades cabo-verdianas com médias comunitários, como se sabe, têm as suas potencialidades e especificidades que devem ser consideradas.

Tomei conhecimento que, como forma de “blackout”, alguns média não irão comparecer aos encontros do primeiro ministro.

NÃO É POR FALTA DE AVISO

Eu já tinha alertado por esta tendência. Mas, em vez das pessoas debruçarem sobre o assunto, procurar soluções ou sugestões, preferem fazer críticas com base na simpatia ou partidarismo. Por o que tenho acompanhado a situação tende a alastrar-se.

Por isso, volto a chamar a atenção por esta falta de empenho ou interesse de certos sectores da adminitração cabo-verdiana.

Quem outrora não se lembra das entidades e responsáveis de instituições de Cabo Verde, que se deslocaram aos E.U.A., terem recebido toda a cobertura (diga-se apoio) por parte dos meios de informação?

As coberturas a estas visitas, por falta de incentivo e remuneração, por parte das entidades cabo-verdianas, sedeadas em Cabo Verde e nos E.U.A., vão se escasseando.

Esta é uma matéria de fácil resolução. É preciso o governo cabo-verdiano ter coragem para estipular um orçamento para média comunitária, em que, além de apoios pontuais, os membros podem se aplicar a um sistema de “grant” (concessão) previamente estabelecido.

SEIS MESES DEPOIS

Há um provérbio que diz “quem avisa amigo é”. Pois é, passados exactamente 6 meses volto a insistir no mesmo assunto.

Hoje são 30 de Setembro. No dia 30 de Março deste ano, quando o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, esteve de visita aos E.U.A. para um encontro com o presidente dos E.U.A., Barack Obama, escrevi na minha página pessoal de Facebook, que “pela primeira vez, em 13 anos nos EUA, decidi não dar cobertura jornalística à visita do primeiro-ministro, José Maria Neves, por opção pessoal e por entender que na vida tudo tem limite”.

MÉDIA COMUNITÁRIA DESAMPARADA

No mesmo texto afirmei que “a classe de média cabo-verdiana nos EUA continua desamparada. Urge as entidades procurarem uma forma para apoiar esta classe, que tem dado muito por Cabo Verde”.

Acrescentei que “todos, inclusive alguns que mais tempo estão nestas andanças, continuam a circular a todo gás, acompanham os governantes e políticos em nome do Amor por Cabo Verde sem que seja apresentado um estímulo pelo trabalho árduo dos colegas. Se este estímulo existe, eu o desconheço”.

Ainda relembrei que “cada um tem a sua vida e responsabilidades mas, por isso mesmo, pelo sacrifício e bons préstimos, deve surgir um reconhecimento e, porque não, compensação. Não pelo trabalho mas, pela contribuição; sem simpatia mas, pela dedicação”.

REACÇÕES DE ACTIVISTAS COMUNITÁRIOS

Naquela altura, fui aplaudido e criticado, inclusive surgiu a afirmação de que a minha ausência não fez falta porque “a sala estava repleta de jornalistas”.

Prontamente respondi “Sei que, mesmo contra vontade, devido a forma como os média são tratados, alguns compareceram

Igualmente o Deputado da Nação, da lista do partido MpD, eleito pelo Círculo das Américas, Cândido Rodrigues, fez o seguinte comentário “os lideres políticos cabo-verdianos não podem somente usar a nossa comunidade quando precisam”.

Vasco Pires, Vice-Presidente da Direcção da CVAMA – Cape Verdean American Media Association afirmou que “The Cape Verdean American Media Association could help in that respect, if we worked together to make it happen” (Cape Verdean American Media Association pode ajudar nesse sentido, se nós trabalhamos juntos para que isso aconteça).
Até agora, infelizmente, devido a falta de dinamismo e consequente fraca participação dos membros desta organização (CVAMA), não se conseguiu chegar a qualquer lugar.

Justin Fernandes, activista comunitário, repostou que “All journalists should be given the opportunity to interview any political figure regardless if they agree or disagree with the political parties agenda. It’s a public office.” (A todo o jornalista deve ser dado a oportunidade de entrevistar qualquer figura política, independentemente se eles concordam ou discordam com a agenda dos partidos políticos. É um cargo público).

CONSULADO DE CABO VERDE SEM FUNDO

As entidades sempre queixam-se de não ter fundos, escudam-se na crise económico-financeiro mundial, mas para alguns aparecem certas mordomias.

Hoje, aproveitando a passagem do primeiro-ministro que participou no encontro anual das Nações Unidas, uma vez mais, à semelhança doutros colegas, recebi o convite formulado pelo Consulado de Cabo Verde em Quincy para participar no Fórum Económico promovido esta segunda-feira, 30 de Setembro, pelo Governo de Cabo Verde e Millenium Challenge Coorporation (EUA).

Igualmente foi feito um convite aos média da comunidade para se encontrar com a Ministra das Comunidades, Fernanda Fernandes, esta terça-feira, 1 de Outubro, para “troca de experiência e sugestões para melhorar o seu programa”

É caso para se perguntar: Quantas reuniões com Ministros, Secretários de Estados e mais já se fez e quais os resultados práticos que se obteve? Será apenas mais uma actividade?

CIDADÃO ATENTO

Além de ter declarado não dar cobertura às visitas oficiais ou actividades de governantes de Cabo Verde nos E.U.A., e por estar a assessorar Linda Balzotti, Mayor da cidade de Brockton que se recandidata, preferi suspender toda a minha actividade de média.

Porém, sou um cidadão atento e nem por isso deixo de emitir minha opinião, sobretudo, quando afecta a nossa comunidade e classe de média.

Tomei conhecimento que o Consulado de Cabo Verde em Boston justifica não ter dinheiro e nem pode contribuir com as despesas muito menos remunerar pela cobertura.

Por se tratar de um Fórum económico-financeiro, não podiam criar as condições mínimas para os participantes?

Será da parte cabo-verdiana um “show Off” ou um “Off show”?

PUBLICIDADE TARDIA

Como é possível organizar eventos na comunidade sem os médias terem conhecimento com antecedência e nem serem envolvidos neste processo?

Como é possível continuar a organizar eventos sobre os joelhos, que apenas foram anunciados há menos de um mês, por altura da festa de despedida da Embaixadora, Fátima Veiga?

Será que iniciativas do género vão continuar a ser tratados em ciclos restritos, por e para grupos selectivos?

Desta forma como se poderá envolver a larga massa da comunidade?

Quando não é partidarizar é sectorizar actividades de e que dizem respeito a todos.

Por: Pedro Ben’Oliel Chantre

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