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Sabonete antimalária: Invenção de jovens africanos pode revolucionar o combate à doença

Sabonete antimalária: Invenção de jovens africanos pode revolucionar o combate à doença


Dupla ganhou competição global pelo trabalho contra a malária, que faz mais de 220 milhões de vítimas por ano. Cerca de 90% estão na África Subsaariana

Rio – Um projeto que orgulha Burkina Faso propõe eliminar uma doença que afeta não apenas o continente africano, mas diversas partes do mundo. A malária ganhou um forte rival, uma arma autêntica, que une ciência e criatividade diante das fragilidades de regiões precárias. O sabonete contra malária deu aos jovens autores Moctar Dembele e Gerard Niyondiko o título de vencedores da “Global Social Venture Competition“ da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, com um trabalho que pode salvar milhões de vidas.

Gerard Niyondiko, de Burundi e Moctar Dembele, de Burkina Faso - Divulgação Natalia da Luz - Por dentro da África– A malária ainda é a principal causa de morte na África Subsaariana (abaixo do deserto do Saara), e nenhuma solução satisfatória foi proposta para as pessoas se protegerem deste flagelo. Os meios de proteção existem, mas são ineficazes ou inacessíveis à maioria da população (no país, 45% dos africanos vivem abaixo da linha da pobreza). Incorporando o repelente a um produto de consumo diário aumentaremos o acesso à proteção contra a malária – disse, em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Lisa Barutel, a treinadora da equipe do Instituto Internacional de Engenharia de Água e Meio Ambiente, responsável pelo desenvolvimento  do Faso Soap (Faso de Burkina Faso, e Soap de sabonete, em inglês).

Gerard Niyondiko, de Burundi e Moctar Dembele, de Burkina Faso – DivulgaçãoLisa conta que o projeto nasceu a partir do encontro entre Gerard Niyondiko, de Burundi, país vizinho, e Moctar Dembele, de Burkina Faso. Niyondiko chegou à instituição em  setembro de 2012 para uma especialização em Água e Saneamento após vários anos de atividade profissional em Burundi. Um dos seus primeiros projetos foi desenvolver um sabão,quando conheceu Moctar Dembele, com quem trabalha até hoje. Juntos, eles criaram um sabonete antimosquito para proteger grande parte da população da picada do inseto e, consequentemente, da malária.

Quase metade da população mundial ainda está exposta à doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desta alarmante estatística, o projeto dos jovens aparece como uma revolucionária alternativa produzida com 100% de recursos locais.

A malária é uma doença infecciosa transmitida pela picada do mosquito do gênero Anopheles fêmea. Ela é a principal parasitose tropical e uma das mais frequentes causas de morte em crianças africanas. Segundo a OMS, em todo o mundo, são registrados mais de 220 milhões de novos casos por ano (90% desses estão na África Subsaariana). Desses, mais de 700 mil levam à morte.

Depois do Prêmio, a aplicação na África

Mapa da OMS sobre as áreas mais críticas de contaminação de malária Entre 2000 e 2010, as taxas de mortalidade por malária caíram 26% em todo o mundo. Na África, de acordo com a OMS, a redução foi de 33%. Durante este período, cerca de 1,1 milhão de mortes por malária foram evitadas  globalmente, principalmente como resultado de um aumento de escala das intervenções, mas ainda é preciso mais…

Segundo dados do Instituto que desenvolveu o projeto, a malária ainda representa 40% das despesas de saúde pública na África Subsaariana no momento em que o Faso Soap oferece uma solução simples e eficaz por um valor similar a de um sabonete convencional.

Lisa conta que os testes iniciais foram realizados em uma pequena amostra da população com resultados muito satisfatórios, mas outros testes estão em andamento a fim de otimizar a composição do produto.

Equipe do Faso Soap – Lisa entre os vencedores – Divulgação- Até o momento, o Faso Soap está em desenvolvimento e ainda não está disponível no mercado. Sobre a eficácia, ainda não podemos responder com precisão. De qualquer forma, o objetivo é oferecer um produto que irá complementar as soluções repulsivas existentes para proteger os usuários durante várias horas – detalha a empreendedora social que estudou na Escola Internacional de Negócios ESSEC, em Cergy, França.

Combater a malária é um dos objetivos do Desenvolvimento do Milênio até 2015. Em Burkina Faso, país que já faz parte dessa luta, o objetivo do programa é, em curto prazo, comercializar o produto no país, onde haverá uma unidade de produção. Potenciais parceiros auxiliarão na distribuição para toda a África, garante Lisa.

– O sabão pode ser utilizado em qualquer momento, principalmente durante a noite, para agir como um repelente. Na verdade, a atividade dos mosquitos acontece na maioria das vezes à noite.

Inovação e Empreendedorismo

Faso Soap O continente africano possui uma taxa média de crescimento de mais de 5% ao longo da última década, e a África desafia estereótipos buscando se estabelecer como protagonista da econômica global.

Hoje, para a representante do Instituto, especializado em Meio Ambiente, Energia e Engenharia Civil, a África precisa de políticos e empresários capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável e a criação de empregos.

– O fortalecimento da capacidade de inovação e empreendedorismo entre os alunos formam os tomadores de decisão de amanhã e contribuem para o desenvolvimento sustentável do continente – acredita.

De acordo com Lisa, o sabonete tem um cheiro forte, mas agradável. A composição dele não pode ainda ser integralmente descrita. É produzido com recursos locais, para promover o desenvolvimento econômico do país.

– Ensaios sobre os efeitos secundários são fornecidos por um laboratório para garantir as propriedades dermatológicas de sabão e proteger os consumidores de quaisquer efeitos negativos – ressalta sobre a possibilidade de alergia.

O significado do prêmio

Gerard Niyondiko, de Burundi e Moctar Dembele, de Burkina Faso – DivulgaçãoO prêmio Competição Global de Iniciativas Sociais, da Universidade de Berkeley, que deu US$25 mil dólares aos vencedores durante uma cerimônia na Califórnia (USA), possui uma capacidade imensurável de inspirar outros jovens e, sobretudo, os africanos: ele não é apenas um reconhecimento do potencial do projeto de Moctar e Gerard, mas, acima de tudo, uma grande mensagem para todos os jovens africanos.

– Sim, é possível fornecer soluções para os problemas africanos. Sim, é possível realizar um ambicioso projeto na ciência no nosso continente. Sim, nós temos os recursos para a criação de empresas para promover o desenvolvimento sustentável do território.

Fonte: www.pordentrodaafrica.com
Gerard Niyondiko, de Burundi e Moctar Dembele, de Burkina Faso – Divulgação Natalia da Luz – Por dentro da África

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