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5 DE JULHO. O DESEMBRULHO DO NOSSO ORGULHO


5 DE JULHO. O DESEMBRULHO DO NOSSO ORGULHO by Celso Martins celso-martins

 

Corro o olho sobre um fascinante horizonte No século passado mergulho Um fresco passado desembrulho e como conquistador brilha o ano setenta e cinco Abre a porta Julho e quebra os séculos de dor no seu dia cinco Ergue e me enche de orgulho o dia 5 de Julho!

Seca o já seco vale
vale o vale
de lágrimas
É o milagre
do homem
que nunca foi covarde

Chegara
a hora
de coroar
as reiteradas tentativas
de emancipação social
ceifadas pela opressão colonial

 

 

A hora da devolução
dos bens e valores
pertencentes ao sagrado
património do povo
Assim reza, a proclamação!

Na inocência
da frescura matinal
fez o mar
suar pelo ar
o mal
e hastear
a independência
como obediência
ao sonho de Cabral

Tal
e qual
pássaro independente
voo além do horizonte
Vejo na aurora
um despertar recente
Era
a hora
que um país que virara
independente
Cabo Verde!

Rompe a aurora uma solene fogueira
cobre o céu a vitoriosa bandeira
Debaixo de um lume que branda e docemente arde
vencida desce e morre a dependência de Portugal
impetuoso sob e nasce Cabo Verde
como independente nação!

Era o arraiar da bandeira de Portugal
e o içar inaugural
da bandeira nacional
desenhada
e pintada
por Cabral

A Sul,
diante dos olhos de um ansioso povaréu
que encheu a Várzea

A norte, na Praça Nova,
sob a moral de Luís Morais
e da Banda Municipal
a bandeira nova
já pela a alvorada
era festejada
por entre a alegria
de crianças e jovens
que num país livre
iriam crescer
e viver

Da emigração
e para toda nação
numa solene canção
Manel d’Novas
pediu ao irmão da jornada
ao camarada
um abraço de homem livre

Nova esperança
na nação se lança
chegara a hora
de mandar o colono embora
de receber a nossa maior herança
e assumirmos a decisão
da nação

Sob égide PAIGC-ina
soa no céu da nação um novo hino
que pinta a memória
de uma nova página
da nossa história

Num adeus aos prepotentes de Portugal,
apaga-se o heróis do mar
soa no ar
o suor, suor verde o mar
num coro entre o povo da terra
e os eleitos da guerra
que cantam a garra de Cabral
na construção de uma pátria imortal!

Unem o campo e a cidade,
a puberdade, mocidade
os de maior e mais idade
num grito da liberdade
numa celebração
onde só dá irmão

Mas porque entrar hoje
na batalha da partilha
sabendo que essas batalhas
só são muralhas
às novas batalhas?

Sim! Porque embora tenha sido grande
e importante
a batalha ontem ganha
foi apenas uma entre a demais
que temos pela frente

Aqui falo de um presente
que devia ser um desígnio nacional
e como tal
longe da fadiga das bregas brigas
das disputas palacianas

Esse dia
devia ser um dia
de festa de rua
abraçado à luz da estrela
e da lua
que naquela donzela estreia
na campo Várzea e no coreto da Praça nova
debaixo de um só sol
fez abaixo ao subjugo colonial
iluminou o espírito,
e emprestou sangue novo
à veia do povo
que debaixo de um só sol
ansioso sonhava
com um horizonte novo
e uma felicidade
movida pelas asas da liberdade

Sim! Porque nesse dia
renovava uma nova esperança
em cima da sina
da voz e dança
de uma morna morna
e em torno de outro Cutorno
sem descolar a cola do colá
nem ofuscar a lareira da coladeira
e o fumo do funana!

Quebra assim 5 Julho
um grande pedregulho
na construção de uma nação
que para nosso orgulho
só cresce depois da nossa independência
com um futuro que promete manter essa tendência

Por isso rezo
para que esta onda
abrace o mar
como água viva
e tempero para uma nova
e sedutora
aurora

Exala assim cinco de Julho
uma vitória
com glória
e como o desembrulho
do nosso orgulho

Celso Matins
via facebook

 

 

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