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Julio Monteiro “A juventude necessita de se sentir integrante duma Nação”


“A juventude necessita de se sentir integrante duma Nação. É uma questão de cidadania”

“Uma boa maneira de distinguir a interpretação da história que tem uma determinada corrente historiográfica actual é perguntar-lhe a quem considera “sujeito histórico” ou verdadeiro protagonista da história”

5 julho 1975-julio monteiroO cumprimento da missão histórica do PAIGC de conquistar a independência da Guiné e de Cabo Verde através da luta de libertação nacional, e numa dada altura, de passar a uma fase superior da luta de libertação no arquipélago, levou a que uma unidade constituída inteiramente de combatentes cabo-verdianos fosse preparada em Cuba, com a missão de desencadear a acção político-armada nas ilhas.

“O grupo de combatentes que o PAIGC preparou para essa missão histórica, representava bem o amor à liberdade e as virtudes de patriotismo, coragem e decisão do Povo Cabo-verdiano”. Aristides Pereira 15.Jan.1988
A 15 de Janeiro de 1967, um a um, esses combatentes juraram cumprir com fidelidade e honra a missão que, a eles, o PAIGC tinha confiado.

“Inventariar, conhecer, valorizar e defender os factos mais marcantes da história do nosso Povo, desde a sua origem ao Cabo Verde de hoje, é sem duvida, uma das tarefas de maior alcance a prosseguir, para a salvaguarda dos valores que dão forma e conteúdo ao sentimento de identidade nacional”. Júlio de Carvalho 15.Jan.1988

5july1975Foi com esses combatentes que os jovens, da minha geração, que responderam ao chamamento do PAIGC, construíram as unidades militares que garantiram a segurança para a proclamação da Independência.
Foi com esses combatentes que os jovens militares aprenderam os ideais da luta, da sua experiência e vivência combativas “fazendo assim com que as nossas Forças Armadas fossem o elo de ligação com o passado e constituíssem efectivamente fieis depositários das tradições gloriosas da Luta de Libertação Nacional”. J. Carvalho Jan.88

Foi nesse caldear de patriotismo que os militares cabo-verdianos aprenderam a amar e respeitar o Povo e as instituições da República, prova dada e sobejamente referenciada, do seu comportamento nos anos de 1990 e 1991.
São factos históricos incontornáveis, que a Nação cabo-verdiana e as suas FA nasceram antes da fundação do Estado de Cabo verde.
É também incontestável que a luta de libertação nacional foi factor decisivo para a liquidação da dominação colonial na Guiné e Cabo Verde.

Estes factos devem ser ensinados aos nossos jovens “que necessitam de se sentir integrantes duma Nação com História. É uma questão de cidadania”.
A noção de NAÇÃO assenta no vínculo que une vários indivíduos convictos de um querer viver colectivo, na consciência da nacionalidade e da existência de um agrupamento distinto de qualquer outro, com vida própria e interesses especiais.

A Nação cabo-verdiana não se anula porque está fragmentada pelas quatro partidas do Mundo, porque a substância humana que a enforma fortifica-se e une-se na sua história, nos momentos das grandes fomes, catástrofes e conquistas, mas também na evocação dos seus heróis e momentos patrióticos.
A Nação deverá apropriar-se desses momentos e factos. Mas eles são feitos pelos “sujeitos históricos”, não pelo “clique” virtual.
É próprio da juventude procurar figuras, que em determinado momento representam no seu imaginário, heróis, ícones e ídolos. Não conhecendo a sua história, e não os havendo na sua esfera familiar ou nacional ela irá apropriar-se de figuras estrangeiras e mundiais (Che Guevara, Cristiano Ronaldo, Messi, Casheman, Akon, Anselmo Ralph, Schwarzenegger, Thug, etc.)

É imperativo, é uma questão de cidadania, dar a conhecer aos nossos jovens a nossa história os nossos heróis, ícones e ídolos pois que, como todos os povos, também os temos: Cabral, Cesária Évora, Teixeira de Sousa, a Seleção Nacional, Lúcio e tantas outras figuras ilustres que nos fazem sentir Cabo-verdianos.
Esta minha reflecção deve-se ao facto de ter escutado num programa televisivo na semana passada, da Margarida Fontes, algumas frases, das quais umas gostei, outras nem por isso, que passo a citar de cor:
“…alguns actores apropriaram-se das datas histórica…”,
“…não há uma data própria do nascimento das nossas Forças Armadas…”,
“… os actores apropriaram-se dessa data e querem o monopólio dessa instituição…”, “… os jovens quadros hoje não se revêm nessa história…”
“… as FA apareceram antes do Estado. É um facto histórico incontornável, como em alguns outros países…”
“… a juventude necessita de se sentir integrante duma Nação. É uma questão de cidadania.”

Júlio César de Sousa Monteiro Coronel, ref.

Julio Monteiro via Pioneiros de CaboVerde

jornal ASEMANA em Janeiro

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