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Iva Cabral diz ser “horrível” Cabo Verde não ensinar história à juventude

Independência/38 anos: Somos uma sociedade sem alma porque não ensinamos história – Iva Cabral

5july1975A historiadora, a camada que precisa de “heróis, mitos e lendas” e afirma que se vive numa “uma sociedade quase sem alma”. A filha de Amílcar Cabral desaponta-se com o tratamento que os cabo-verdianos dão à história do país e de África, que considera o espaço vital de Cabo Verde. “Nunca a Europa e muito menos os Estados Unidos da América. Nunca”. Iva Cabral refere-se aos “muitíssimos complexos” que os cabo-verdianos têm em relação a África, à costa africana, continente que os cabo-verdianos não conhecem exactamente por causa desses complexos, o que só “prejudicam” a sociedade, sublinha. “Temos complexos porque não queremos aceitar que somos uma sociedade de base escravocrata. Fomos povoados por escravos negros”, afirma a historiadora. Iva Cabral quer Cabo Verde no cimo da CEDEAO, “organização regional africana a cujas reuniões o país até deixou de se apresentar, por mero complexo, quando o futuro está no continente ou na Ásia”, disse. “Tomamos África como um todo, mas não é assim. A Guiné Bissau e o Senegal são diferentes. E depois pensamos que o nosso futuro está em acordos especiais com a Europa. Por mim acho que o nosso futuro está em África. Lá é que está o futuro”. No início do século XVI, refere Iva Cabral, havia 200 brancos e cinco mil escravos na Cidade Velha, e o povo “não quer aceitar isso porque ser africano é ser negro, pobre, escravo. Não”. “Queremos virar-nos para a Europa e para os Estados Unidos esquecendo o nosso espaço vital, que é a costa africana. Qualquer historiador que estude Cabo Verde vai dizer: o espaço vital de Cabo Verde é a costa africana, nunca a Europa e muito menos os Estados Unidos”. Iva Cabral, que é reitora da Universidade Lusófona de Cabo Verde, lança ainda um olhar crítico sobre o ensino superior no país. “O Governo devia baixar os impostos às universidades, porque afinal não se tratam de casas comerciais”, diz. A Electra (empresa de água e electricidade) também devia olhar para as tarifas que aplica às empresas que são do bem público, desafia a historiadora, referindo que a Lusófona às vezes nem dinheiro tem para pagar aos professores. Outro ganho da Independência foi o saneamento público. “Às vezes queremos milagres. Não temos recursos naturais, petróleo, diamantes, minérios que possam ser usados logo. Mas temos o mar, a nossa riqueza está no mar, e na posição estratégica. Foi isso que nos salvou”, enfatizou. @Inforpress

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