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Documentário “A hora de perdoar?” – Um ajuste de contas da História


poster-a hora de perdoar-smFoi lançado a 1 de Maio, nos E.U.A., o filme documentário “A hora de perdoar?”, que narra um incidente ocorrido há 39 anos, em Cabo Verde – uma semana depois da revolução do 25 de Abril – envolvendo Toco de Assomada (Fernando dos Reis Tavares) e o padre Arlindo dos Órgãos, um português.

O filme colocou a opinião pública dos dois lados da barricada, com os seus indispensáveis prós e contra. “Toco” vive hoje em Assomada, Santa Catarina, e o padre Arlindo presta serviço numa igreja do Estado de Rhode Island, EUA, frequentada maioritariamente por cabo-verdianos, portugueses e brasileiros.

O caso que data de 1 de Maio de 1974, e acontece por altura da libertação dos presos políticos do campo de concentração do Tarrafal de Santiago aparece agora em forma de documentário. Mas só tem o testemunho de uma das partes envolvidas, “Toco”. A realização do “A hora de perdoar?” revelou que contactou o padre Arlindo, mas este negou prestar esclarecimentos sobre o sucedido que, até os dias de hoje, continua a suscitar dúvidas nas pessoas.

“Toco”, ex-preso político do regime fascista português e um dos líderes do movimento pró-independência em Santiago, confirma que o confronto com o padre Arlindo, dos Órgãos, aconteceu cerca de uma semana depois da revolução do 25 de Abril em Portugal.

Este filme de autoria de Napoleon X, cujas recolhas foram conseguidas há dois anos e foi produzido pelo Protown Production em parceria com Nobidade tv, nos E.U.A., acaba por reanimar uma história cujos contornos ainda se conhece mal, exactamente porque Cabo Verde ainda não se tem debruçado sobre a sua história dos últimos 50 anos.

O documentário é classificado pela produção, na sua legenda, como uma obra dramática de “acusação, confrontos e calúnia” feita na expectativa de que “os principais intervenientes possam se entender”.

“A hora de perdoar?” pode ser visto via internet, através do portal nobidadetv.com. Mas os seus produtores prometem exibi-lo, em breve, em conferências e salas de cinema.

Napoleon X explica que, como ele, ao longo dos tempos muitas pessoas têm vivido com esta história sem conhecer as razões, daí ele decidir dá-la a conhecer pela voz dos seus directos intervenientes.

E sem resistir à tentação de meter a sua colherada opinativa, o autor arrisca um comentário que explica com a sua educação cristã e por ter acontecido num país maioriatariamente católico: agredir uma padre parece ser pecado.

Isso, mesmo que mais adiante Napoleon X diga que seu sonho com este trabalho é um dia poder reunir “Toco” e padre Arlindo na mesma mesa para uma cena de verdade e reconciliação.

Na curta-metragem, Toco revela que “o padre era agente da P.I.D.E. e foi responsável pela prisão de um cidadão chamado Joãozinho e seus dez filhos, todos acusados de estarem a preparar uma armadilha para matar o governador e tirar Cabo Verde à força das mãos do colonialismo português”.

Ainda falando em primeira pessoa, Toco recorda que o padre Arlindo foi obrigado a prestar esclarecimentos no Tribunal. E que terá sido ali que o advogado Vieira Lopes, defensor de Toco, dirigiu-se ao padre português com muitos anos de Cabo Verde nos seguintes termos: “Sr. Vigário, se a lei me permitisse chamava-lhe de grande vigarista”.

Toco afirma que a história está mal contada, quando se diz que ele foi à “casa de nhô padre propositamente para o esbofetear”. Nada mais falso, contemporiza este homem que esteve preso no Campo de Concentração do Tarrafal: “Eu fui aconselhar o padre a estar calado”, mas ao ser chamado de mentiroso acabei por agredi-lo.

E para não restar dúvidas Toco aponta várias testemunhas: a cena aconteceu na presença de mais dois padres, José Vaz e Alberto, e de quatro cidadãos comuns.

De notar que Napoleon X, além de “A hora de perdoar?” é co-autor do documentário “Black Men Can Fly” que reporta a vida de George S. Lima, um homem de origem cabo-verdiana que está entre os pilotos negros que participaram na II Guerra Mundial.

Pedro Chantre – fonte: asemana

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