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Cabo Verde deve evitar polémicas com a Guiné-Bissau – académico


corsino tolentino

Cidade da Praia, 30 abr (Lusa) – O académico cabo-verdiano Corsino Tolentino defendeu hoje que Cabo Verde “não deve envolver-se em polémicas evitáveis”, ao comentar as críticas da Guiné-Bissau ao comportamento das autoridades da Cidade da Praia no conflito político-militar guineense.

Entrevistado pela agência Inforpress, o também antigo diretor geral da Fundação Calouste Gulbenkian defendeu que Cabo Verde deve acompanhar “com cautela” a crise guineense, desencadeada com o golpe de Estado de 12 de abril de 2012.

“Creio que devemos acompanhar este assunto com muita cautela e qualquer posição pública deve ser devidamente ponderada, porque, neste momento, pode ter desenvolvimentos imprevisíveis”, opinou Corsino Tolentino, “histórico” do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder desde 2001).

Em causa está a operação levada a cabo a 04 deste mês pelo Departamento Anti-Droga (DEA) dos Estados Unidos para a detenção do antigo chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) da Guiné-Bissau Bubo Na Tchuto, acusado pelos norte-americanos de ligações ao narcotráfico e tráfico de armas.

Para as autoridades da transição guineense, a detenção de Bubo Na Tchuto ocorreu, não em águas internacionais, mas nas guineenses, tendo contado com o apoio de elementos cabo-verdianos, que permitiram, depois, que o antigo CEMA fosse transportado para os Estados Unidos a partir da ilha cabo-verdiana do Sal.

O Governo de transição guineense acusou ainda as autoridades cabo-verdianas de envolvimento no tráfico de armas para os rebeldes da guerrilha senegalesa – Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC) que luta pela secessão da província do sul do Senegal e fronteira à Guiné-Bissau.

Na resposta, a 23 deste mês, um dia depois das críticas, o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, afirmou que as acusações “não são credíveis”.

“Não estamos a brincar aos Governos e não comento declarações desta natureza. Desvalorizo-as completamente. Não têm nenhum significado ou credibilidade para o Governo de Cabo Verde. Não comento as declarações de governantes da Guiné-Bissau em relação a essas matérias”, afirmou José Maria Neves.

Hoje, Corsino Tolentino indicou que as acusações do Governo de transição guineense revelam “falta de sabedoria política”, salientando que se está à procura de um “bode expiatório” para um caso “muito delicado e muito concreto”: o da afirmação de um Estado de direito na Guiné-Bissau.

Comentando a detenção de Bubo Na Tchuto, Corsino Tolentino disse que a situação “está longe de ser líquida”, uma vez que o caso não esteve a coberto de um “mandado de um tribunal internacional devidamente legitimado”.

Pessoalmente, disse que gostaria que os cabo-verdianos não entrassem no que considera ser “um jogo”, que pode prejudicar tanto Cabo Verde como a Guiné-Bissau e a região em que os dois países estão integrados.

Segundo o analista, Cabo Verde “foi envolvido ou deixou-se envolver” no caso da detenção de Bubo Na Tchuto.

Instado sobre que papel pode o arquipélago desempenhar numa solução para a crise guineense, Corsino Tolentino sublinhou que, apesar do passado histórico que liga os dois países, não vale a pena basear-se nesses pressupostos para se justificar qualquer tomada de posição por parte de Cabo Verde sobre os assuntos da Guiné-Bissau.

“O passado histórico entre os dois países é diverso”, alegou, acrescentando que houve “muito de positivo”, mas também “muito de negativo”.

JSD // VM

Lusa/Fim

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