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Combatentes da Liberdade da Pátria (CLP) exigem distintivo próprio

 

Os Combatentes da Liberdade da Pátria (CLP) exigem, através de António Leite e Júlio de Carvalho, insígnia própria que os distinga dos demais militares na reforma. Estes homens que pegaram em armas para lutar – enquanto braço-armado do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) para libertar Cabo Verde do jugo colonial – reivindicam também a regulamentação urgente do estatuto de comandantes. Uma classe de oficiais superiores já abolida da hierarquia militar, mas que tem ascendência sobre as demais categorias e cargos criados nas Forças Armadas, incluindo os postos de generais instituídos recentemente.

arton85290Nem tudo vai bem no que toca aos guerrilheiros da independência que ainda estão vivos. É que, na sequência do recém-criado posto de general, estes militares que libertaram os cabo-verdianos do regime colonial português exigem também do Estado mais atenção e dignidade.

António “Toy Suna” Leite, combatente com patente de major, assume-se como uma das vozes críticas e que exige a instituição urgente de um distintivo próprio para os oficiais superiores que protagonizaram a guerra da libertação nacional.

“Discordamos da medida de promover oficiais superiores na reserva, mas não somos contra a instituição do posto de general. Isto, apesar de o contemplado nunca ter dado sequer um tiro em toda a sua vida de militar. Mas queremos deixar bem claro que os combatentes não querem ser equiparados a nenhuma das categorias existentes na hierarquia militar cabo-verdiana. Sugerimos tão-somente a criação de uma insígnia própria para os que lutaram pela independência de Cabo Verde, tal como acontece em vários países do mundo que honram, exaltam e valorizam a memória dos seus heróis nacionais”, propõe António Leite, que desempenhou um papel importante a nível das telecomunicações durante a guerra de libertação travada pelo PAICV nas matas da Guiné-Bissau.

Toy de Suna, como é conhecido entre os colegas da luta anti-colonial, fundamenta que a intenção é reforçar, com tal distintivo, “a merecida dignidade” que o Estado deve assegurar a todos aqueles que deram tudo de si para que Cabo Verde se tornasse um país livre e independente em 1975.

“Com a criação dessa insígnia, pretende-se dar uma visibilidade mais digna dos combatentes junto da sociedade civil e em actos oficiais e militares. O objectivo é, por um lado, pôr cobro a situações desagradáveis em termos protocolares e de hierarquia que sistematicamente vêm surgindo entre militares no activo e os que passaram à reforma em cerimónias oficiais; por outro pretendemos valorizar ainda mais a memória da luta da libertação e dos heróis nacionais, particularmente junto da juventude cabo-verdiana”, fundamenta AL.

Caso dos comandantes e prioridades

O primeiro comandante Júlio de Carvalho, que foi o ministro da Defesa e Segurança na Primeira República (Governo do PAICV liderado por Pedro Pires) corrobora o ponto de vista do seu companheiro de armas. “Se é algo para distinguir os Combatentes da Liberdade da Pátria dos demais militares não-combatentes na reforma, acho que é uma proposta importante de se aplaudir e com a qual concordo”, apoia o antigo governante.

Mas os CLP têm outras queixas: “Os estatutos actuais das Forças Armadas consideram que a categoria de comandantes, abolida da hierarquia militar desde 1990/91, tem ascendência em relação a todas as outras categorias e postos criados a nível das FA. Só que, passados quase 23 anos, o Estado ainda não regulamentou essa norma”, questiona Júlio de Carvalho.

O ex-ministro da Defesa explica que a figura de comandante terá funcionado, durante longos anos, e consagrou-se na lei militar, “como uma espécie de garante da dignidade” para os oficiais superiores que são combatentes. Uma classe que entretanto seria abolida com a criação dos postos de coronel, tenente-coronel e general.

Referindo-se a este particular, António Leite sugere que a lei que venha regulamentar o estatuto de oficiais superiores combatentes – que deve chegar o mais breve possível, pois já esperou mais de 20 anos na gaveta – seja o mais abrangente possível, beneficiando os 1ºs comandantes, os comandantes e os majores.

Mas Adriano (Duduta) Pires, major não-combatente na reforma e que já escreveu vários livros sobre as Forças Armadas, está menos preocupado com as questões levantadas pelos combatentes. Contactado por este jornal, o major prescindiu de comentar os casos referidos e preferiu alertar para as prioridades actuais da instituição castrense.

“Neste momento, não gostaria de comentar as questões que me colocou. Mas creio que constituem prioridades das FA preservar a paz interna, despartidizar-se e prosseguir com a sua reforma, pensando sempre nos desafios do presente e não no particípio passado em defesa deste ou aquele grupo de interesse nelas instalado”, deixa escapar AP.

Este jornal procurou ouvir o Ministro da Defesa sobre as preocupações em causa, mas as tentativas de contacto directo com este governante e através do seu gabinete não surtiram efeito. Contudo Jorge Tolentino – pelos vistos demissionário do cargo com a próxima remodelação governamental prevista para depois do congresso do PAICV em Abril – tem, de entre outras medidas na forja, um projecto de estatuto para a categoria de comandante. Resta saber se o ministro terá tempo suficiente para aprovar o referido documento, antes da sua saída do executivo de José Maria Neves, onde a julgar pelo seu desabafo nunca gostou de estar, mas para onde já voltou duas vezes.

 

fonte: asemana.publ.cv

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