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Segurança e Ordem Pública: Guarda Nacional vai “atacar” grupos organizados

Guarda Nacional (GN) vai assumir um maior protagonismo no combate “musculado” à criminalidade nos principais centros urbanos, ficando a Polícia Nacional (PN) com questões de ordem pública.

A Esta estrutura do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) está, neste momento, à espera que a sua lei orgânica seja aprovada no Conselho de Ministros para poder entrar em acção.

Para além da Polícia Militar  (PM), a GN (Guarda  Nacional) terá componente de luta contra o terrorismo e grupos organizados, combatendo, também, a criminalidade urbana, que vem ganhando terreno no país. Essa unidade, que será devidamente treinada e que se manterá em permanente prontidão, será, no entanto, operacionalizada em situações que requeiram uma força musculada, mas sempre sob a coordenação da PN.

Enquanto a unidade da GN não entra em acção a criminalidade violenta vai ganhando terreno, com relatos de casos e mais casos nos diversos bairros da capital do país. De acordo com os dados estatísticos da PN, no primeiro semestre deste ano houve um aumento significativo da criminalidade, comparado com o período homólogo de 2011.

NÚMEROS DA CRIMINALIDADE

Os dados que a PN deverá apresentar, nos próximos dias, apontam para um aumento de 19 por  cento (%) de crimes contra pessoas, de 9% nos crimes contra a propriedade; nos homicídios houve um aumento significativo, a rondar os 30%. Praia, Santo Antão e Maio são os pontos dos país onde se registaram aumentos expressivos da criminalidade enquanto que no Maio, Brava, São Vicente e Sal se registavam ligeiras diminuições.

Entretanto, a ministra da Administração Interna, Marisa Morais, garantiu no programa “Espaço Público” da RCV, que a situação está sob controlo. “Controlo que vai aumentando progressivamente. Estamos optimistas em relação a esta matéria e o desafio é termos a situação da criminalidade controlada até Dezembro”.

MINISTRA “PERPLEXA”

Mas Morais surpreendeu tudo e todos ao afirmar que décadas atrás houve, em Cabo Verde, níveis superiores de homicídios. “Fico perplexa quando oiço dizer que a sociedade cabo-verdiana era tranquila e sem violência. Temos níveis de violência interpessoal assinaláveis. O que poderemos dizer é que durante muito tempo, essa violência, essa criminalidade não tinham visibilidade e neste momento os cabo-verdianos estão confrontados, por um lado, com a criminalidade e, por outro, com a visibilidade dessa criminalidade. Se durante algum tempo sabíamos a origem do crime, normalmente por motivos interpessoais, tivemos níveis superiores de homicídios há décadas atrás”.

“Vamos ser claros”, propôs, “não vamos deitar para baixo do tapete a nossa realidade e a nossa verdade. Se queremos, de facto, resolver o problema [da criminalidade] não podemos limitar-nos a combater as suas limitações visíveis de cada vez que há um pique. Temos de ir lá onde é verdadeiramente o problema e temos variadíssimas causas”.

Nos últimos dias tem vindo a público notícias sobre assaltos, furtos, roubos, agressões físicas com arma branca e de fogo. Esta situação, que preocupa a sociedade, porque depois de um período de certa acalmia, a criminalidade e a violência tendem a aumentar.

PM “ACOMPANHA A SITUAÇÃO”

O Primeiro-ministro, José Maria Neves, também se pronunciou sobre o aumento da violência e da pequena criminalidade, garantindo que o Governo está a acompanhar a situação com atenção e anunciou que medidas estão em curso. Uma delas é o reforço do patrulhamento dos centros urbanos, a articulação entre a Polícia Nacional, Judiciária e Polícia Militar.

JMN afirmou, também, que é preciso uma justiça mais célere, capaz de dar combate ao fenómeno da pequena criminalidade, alertando ainda para a necessidade de se rever a legislação vigente. “Os criminosos não vão ganhar esta batalha”, prometeu.

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, veio, também, ao “terreiro” emitir a sua opinião sobre a onda de violência que assola o país, afirmando que é preciso reduzir a criminalidade para níveis comunitariamente aceitáveis.

DADOS CIENTÍFICOS

De acordo com um estudo do Afrobarómetro, publicado na edição 261 deste Jornal, a insegurança é o segundo maior problema com que Cabo Verde se confronta, depois da pobreza e do desemprego. De acordo com os dados desse estudo, 40% dos cabo-verdianos sentem-se, de certa forma, inseguros ao caminhar nos seus próprios bairros; desses, 10% dizem-se sempre inseguros. No ano passado, mais de metade das pessoas que foram vítimas de crimes não relataram o incidente à polícia, por considerarem que as autoridades policiais não lhes levam em devida conta.

via: www.alfa.cv

 

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