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Praia: Falta de cuidado e consciência ambiental das pessoas

Praias da Cidade da Praia: Entre o prazer e o perigo

Com a época balnear no máximo, a procura pelas praias aumentou, da mesma forma que aumentaram os eternos problemas como a segurança, a poluição (ambiental e sonora), etc. A isso junta-se, no Município da Praia, o descontentamento dos nadadores-salvadores, não satisfeitos com o seu não enquadramento profissional. Facto que o Instituto Marítimo e Portuário (IMP) considera compreensível, mas que pouco ou nada pode fazer, uma vez que estamos em maré de crise.

Calú, responsável pela limpeza da praia de Quebra-Canela, diz ser pago por um dos estabelecimentos comerciais existentes na zona para limpar a orla marítima. Segundo este jovem de 23 anos, todas as segundas-feiras, por volta das duas ou das cinco horas da manhã, conforme se encontrar o sol, recolhe dejectos como plástico, garrafas, pedaços de vidros, esferovite, fraldas de criança, pedaços pau, etc., o que atesta a falta de cuidado e consciência ambiental das pessoas que frequentam aquela que é a mais procurada praia da capital. “Todas as segundas-feiras apanho pelo menos três a quatro bolsas de lixo aqui para depois esperar que o carro de lixo chegue e os leve”, conta.

FISCALIZAÇÃO

Calú lamenta o facto de não haver nenhuma fiscalização por parte das entidades responsáveis para garantir que os banhistas não sujem ou danifiquem a praia. “É preciso um segurança com urgência, ou medidas para impedir que os banhistas cometam tais actos”, defende.

Calú contou ao A NAÇÃO que este ano, por várias vezes de madrugada, viu tartarugas enormes irem desovar na praia e ficar triste e com medo que algumas possam ingerir plástico ou qualquer lixo que encontrar na areia ou na água. “Mais triste é saber que as pessoas que cá vêm tomar banho não pensam nisso, ou sequer pensem na segurança dos próprios filhos, uma vez que deixam garrafas partidas e outras coisas perigosas por aí”.

Fora isso, o nosso entrevistado diz que são necessários novos contentores, mais consciência e responsabilidade por parte dos banhistas e das entidades responsáveis pelas praias como Quebra Canela. Sendo a principal praia do município, frequentada nesta altura do ano por milhares de pessoas, “Quebra Canela merece melhor atenção”.

Assim como Calú, Mário Lúcio Fernandes, presidente da Associação dos Nadadores-salvadores, diz-se descontente com o lixo e o mau comportamento dos banhistas. Conforme relata, a preocupação de manter a praia limpa e segura devia ser uma preocupação de todos, a começar pelos próprios banhistas. “Infelizmente, não é isso que acontece”, desabafa.

SEM VÍNCULO

Uma outra questão abordada por Mário Lúcio Fernandes é o facto de a associação por ele presidida não ter recebido nenhuma actualização financeira do Instituto Marítimo e Portuário (IMP) para esta época balnear, tendo, pelo contrário, sido uma enorme surpresa quando foi informado que a verba dos nadadores salvadores tinha sido reduzida.

Segundo aquela fonte, os nadadores-salvadores não têm nenhum vínculo com o IMP desde Novembro de 2011. “Diante disso, decidimos criar a nossa associação, e desde então temos vivido com financiamentos de algumas empresas e da Cooperação Luxemburguesa”, revela.

Fernandes salienta que a classe só recebeu tais financiamentos por esforço próprio e não do IMP. “A única coisa que lá fomos pedir foi a licença para poder continuar a trabalhar, mas nem isso nos quiseram dar na altura”, salienta.

“A convenção com a Cooperação Luxemburguesa já estava feita e o dinheiro – 1085 contos – , já se encontrava na nossa conta desde o dia 16 de Janeiro, mas só viemos trabalhar a partir de 11 de Fevereiro, graças ao empenho de José Maria Veiga, na altura ministro das Infra-estruturas, caso contrário, as praias estariam abandonadas, sem salva-vidas”.

Segundo Fernandes, os materiais que ele e os seus colegas utilizam encontram-se em estado lastimável, uma vez que já têm mais de 15 anos de uso. “As pranchas já estão partidas, o que tem colocado não só a vida dos banhistas, como também dos salvadores, em perigo”, aponta.

Fernandes contou ainda a esta reportagem que a associação já apresentou à Câmara Municipal da Praia um projecto, onde pedem para que sejam enquadrados juntamente com os bombeiros, de modo a terem mais equipamentos, e a poderem assim fazer um bom trabalho para o público banhista. “Nós não queremos mais trabalhar apenas por dois ou três meses por ano; queremos, assim como os nadadores-salvadores de São Vicente, ser fixos e ter equipamentos adequados para trabalhar”, esclarece.

SURPRESA

A trabalhar há nove anos como nadador-salvador, Juvenal Correia Barros, ou “Tuga”, como é conhecido, diz já ter visto de tudo nas praias desta cidade-capital, desde crianças a afogarem-se, a jovens a roubarem os bens dos banhistas e a pessoas que morreram por afogamento.

De acordo com esta fonte, este ano a época balnear pegou-os de surpresa, porque, ao contrário dos anos anteriores em que trabalhavam em dois turnos, das oito a uma hora, e uma hora às 19 horas, este ano laboram apenas um período, das dez  às 18 horas, devido à falta de verbas.

@anacao_online

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