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Ameaçaram bater e perseguiram a delegada da TCV em Santa Catarina

Polícia acompanha jornalistas em reportagens

As equipas de reportagem da delegação da Televisão de Cabo Verde (TCV) em Santa Catarina de Santiago estão a ser acompanhadas por polícias à paisana no terreno, devido às sucessivas ameaças à integridade física dos jornalistas.

Julieta Tavares, delegada e jornalista da TCV há sete anos na Assomada (“capital” de Santa Catarina de Santiago), disse à Lusa serem recorrentes as ameaças à sua integridade física por parte de vários atores políticos, que não especificou, razão pela qual apresentou, desta vez, uma queixa na polícia local.

“É muito difícil trabalhar aqui em Santa Catarina, porque é uma região de gente simples, mas também complicada a nível político. Tudo é politizado e dificilmente se consegue ficar à margem da política. Ou se é A ou B. Não se pode ser C”, disse, lembrando que já foi várias vezes perseguida até casa.

“Já me ameaçaram bater, perseguiram-me até casa e disseram que vão fazer tudo para me tirar daqui. Como sou delegada da TCV, todos pensam que fui nomeada pelo poder”, desabafou, frisando a isenção, “por todos reconhecida”, do seu trabalho.

Lembrando que já durante a campanha das autárquicas de 01 deste mês se viveram momentos de tensão, Julieta Tavares sublinhou “não ser normal” haver um órgão de comunicação social “com segurança policial” para poder trabalhar.

À Lusa, o comandante regional de Santiago Norte da polícia cabo-verdiana, Alcides da Luz, confirmou a presença da polícia junto à delegação da TCV para acompanhar, por precaução, os jornalistas nas reportagens.

“Recebemos uma denúncia da delegada (da TCV) e tomámos as medidas que devíamos tomar. Neste momento, temos um polícia colocado na delegação”, disse.

Também à Lusa, Valdemar Pires, diretor da TCV, disse estar “preocupado e apreensivo” com a violação aos direitos dos jornalistas, lembrando que Cabo Verde surgiu em 9.º lugar no último “ranking” mundial sobre liberdade de imprensa.

“Onde estamos? Estamos a falar de Cabo Verde, que é considerado um ‘farol’ de democracia em África, o nono país do mundo em liberdade de imprensa? É lamentável”, sublinhou, frisando que a situação obrigou a direção da televisão pública cabo-verdiana a enviar para a Assomada uma equipa de trabalho da sede, na Praia.

“Qual é a finalidade destas pessoas? Gostam de intimidar jornalistas? Esta situação indigna a sociedade cabo-verdiana no seu todo”, frisou.

A presidente da Associação de Jornalistas Cabo-Verdianos (AJOC), Carla Lima, responsabilizou também os partidos políticos pela atual situação.

Carla Lima salientou a importância da colaboração da polícia e considerou intimidações e ameaças lamentáveis e pediu aos partidos políticos – Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e Movimento para a Democracia (MpD) – um “papel pedagógico” junto de dirigentes, militantes e apoiantes.

Fonte: Lusa

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