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Tropical Power reúne-se pela 1ª vez desde morte de Norberto Tavares

 

Músicas novas de Norberto Tavares em CD de Tropical Power

O novo CD deve sair em 2012 trazendo seis músicas inéditas, que Norberto Tavares não chegou a gravar. A responsabilidade é da banda que o músico da Assomada fundou, a Tropical Power que voltou a juntar-se este ano, pela primeira vez após a morte do seu mentor, nas festas de Santa Catarina de Santiago. Sete músicos vindos dos EUA, e com origem nas diversas ilhas do arquipélago, prestaram um tributo ao líder que já partiu fisicamente mas que continua a mobilizá-los para a divulgação da música que é, acima de tudo, a mensagem da alma para todas as gerações de cabo-verdianos. Sentados à volta de uma mesa vazia de bens materiais, apesar de ser hora de almoço, mas recheada de boa disposição, amizade, boa vontade e algum cansaço à mistura, o Kriolidade conversou com a mítica banda Tropical Power.

Músicas novas de Norberto Tavares em CD de Tropical Power

Sete elementos, sete personalidades, uma única voz: a música de Norberto Tavares. O reencontro do Tropical Power, o primeiro após a morte do fundador (26 de Dezembro de 2010), aconteceu na Assomada, terra de Norberto, durante as festas de Santa Catarina de Santiago.

Um “esforço” para “homenagear e celebrar” o líder que, mesmo depois de partir, deixou à sua banda um legado, uma missão: “continuar a divulgar a música que nunca morre e que esta geração precisa de conhecer porque é portadora de mensagens poderosas”, refere o irmão de Norberto e membro da banda, António Tavares (Totó).

“Viemos com o espírito, não de exibição e exaltação, mas de homenagem ao grande Norberto Tavares para mostrar ao nosso povo que ele foi um líder e que o trabalho de um líder, mesmo ausente, é continuar a viver através dos seus seguidores. É isso que vamos fazer, mostrar aos fãs que a obra dele continua, que apreciamos e valorizamos as composições dele. Acho que com a nossa presença aqui, na sua Assomada, estamos a dar o nosso contributo para que a música dele continue viva no ouvido e no coração das pessoas”, entende Totó.

E porque “Nôs Cabo Verdi di Sperança” – a música de Norberto – nunca vai morrer, a banda vai editar em 2012 um novo CD, não da Tropical Power mas de Norberto Tavares. “Nós, enquanto banda não temos nada de novo, mas temos uma gravação ao vivo com Norberto Tavares – feita mais ou menos um ano antes de os elementos se dispersarem – com faixas ainda não publicadas. Vamos ver, talvez no próximo ano, apareça este CD ao vivo”, adianta.

O disco deve ter seis faixas. “Possivelmente, vou incluir a música que o Norberto me deixou e que fala sobre os 10 Mandamentos. Esta música precisa ser divulgada, não sei quando mas precisa de ser lançada porque tem uma grande mensagem” diz o irmão Totó sem adiantar mais pormenores.

Aliás, o que mais faltou na conversa de amigos foram, precisamente, os detalhes. Talvez por serem acessórios, no ponto de vista da banda, mais “emocionada” por voltar a Santa Catarina um ano após a morte de Norberto para subirem aos palcos. Uma emoção que nem o “cansaço” da viagem feita nessa mesma noite a partir dos EUA, conseguia apagar.

Uma autêntica maratona que, afirmam, não voltarão a repetir. “Nunca mais aceitamos tocar no dia em que chegamos. Nunca mais. Este ano abrimos uma excepção, como foi o primeiro aniversário… mas, nunca mais”, dizem quase em uníssono, não fosse Armando, um dos elementos, já se ter deixado levar pelo cansaço.

“O rapazinho mais novo está a dormir enquanto falamos!”, solta Terêncio, que em jeito de desculpa, diz que não conseguiram dormir no avião. E até à hora em que falavam ao Kriolidadi não tinham conseguido descansar a cabeça numa cama. “Está a ser um pouco confuso”, acrescenta Totó.

Confuso foi também saber as idades dos músicos, com diferenças, entre eles, possivelmente, superiores a dez anos. Entre Armando e Napolleon não se descobre quem é o mais novo. Também por descobrir ficou a idade do mais velho e o seu detentor, até porque a idade não conta, dizem. “Quando se olha para a arte não se olha para a idade, e a música é arte”, assumiu Felisberto.

“Subir ao palco e tocar as músicas de Norberto para um público que conhece cada acorde, fã incondicional do compositor e intérprete de canções como “Maria” é uma grande responsabilidade. Razão bastante para a organização nos trazer a tempo de ensaiar e descansar o necessário. Porque é um espectáculo de muito trabalho e responsabilidade. A minha mente está não sei onde”, pontua Tavares.

E na tentativa de recuperar a mente, algures, acabámos por sair de Santa Catarina e viajar pelo país, até porque os elementos saíram um pouco de todo o lado, apesar do destino ter sido um só, os Estados Unidos da América. E é precisamente aí, no país onde residem, que ainda fizeram dois concertos, enquanto Norberto lutava contra a doença: “Para o encorajar e para lhe trazer à memória todo o trabalho que ele fez, o investimento que ele fez em nós como nosso líder, e também para recordar os fãs dos tempos em que tocávamos”, reconhece Totó.

E a pergunta impõe-se: porque não tocaram mais vezes em Cabo Verde, como por exemplo, no festival Baía das Gatas? “Falando de Santiago, tínhamos convites mais frequentes mas as outras ilhas… O Baía das Gatas nunca nos convidou e guardamos essa mágoa, porque acho que não devia ser assim”, considera o irmão de Norberto Tavares ao mesmo tempo que vai apontando para os colegas desvendando a sua origem: São Vicente, São Vicente, Praia, São Nicolau, Fogo, Brava…

“Temos uma amizade que transpõe as barreiras de Sotavento e Barlavento, as divisões que muitos insistem em colocar entre as ilhas como se todos não fossemos um só: cabo-verdianos. O Tropical Power é uma mistura de todo o arquipélago. Quando o meu irmão convidou o Jack (São Vicente) para participar na banda, ele veio e nunca se opôs ao ritmo do Funaná de que o meu irmão foi um dos pioneiros. Porque é que o Baía das Gatas nunca nos convidou? Porque só tocávamos Funaná? Mas, analisando a banda, as ilhas estão presentes naquilo que nos une. Sempre tocámos todos os estilos de música e nunca sentimos essas diferenças entre nós”, desabafa Totó.

Jack, ali ao lado, solta de imediato: “Sou de São Vicente mas nunca toquei lá. Nunca toquei em casa”. Com “alguma mágoa” por esta ausência de convite, a banda assume que, “mesmo que agora surja a resposta é só uma: Não” a qualquer convite da organização do Baía das Gatas. Fora isso, qualquer outro desafio que surja de Cabo Verde é bem-vindo.

“Estamos longe da nossa terra mas Cabo Verde está no nosso coração”, vão dizendo no decorrer da conversa.

Também no coração estão as músicas e o espírito de Norberto Tavares. E quando questionados se o país tem retribuído com o mesmo amor, os Tropical Power respondem com outra pergunta: Conhecem a música de Norberto Tavares? A geração mais nova conhece-a? A resposta não tarda, os nomes das canções vão fluindo, de todos os lados, em cima da mesa. “Ele canta e chega a várias gerações, tem sempre alguma coisa a dizer, a todas as gerações. A idade não importa, até porque ele falava do povo e da cultura de Cabo Verde, e o importante é que esta geração que está a crescer conheça a música dele e as mensagens profundas que encerra”.

“Da minha parte vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que os jovens cresçam com as músicas dele, porque acho que elas encerram a nossa essência, a nossa alma, o zelo e o amor que dedicamos ao nosso povo, à nossa pátria”, garante.

Confessada a “honra e o privilégio” que significa estar em Cabo Verde a representar as músicas de Norberto Tavares, toca agora cumprir o testamento deixado pelo líder dos Tropical Power. “Este é o propósito de estarmos aqui e as barreiras que se montam não nos impedem de virmos passar a mensagem da música. Porque o nosso objectivo maior é continuar a divulgar a música do Norberto”.

“Pa undi qui nu bai nu ta kantal ku venerasson. Nu ta kantal na partida. Pa kantal na regresso”. É o testamento de Norberto Tavares que também já está imortalizado numa biografia da americana Susan Hurley-Glowa que fez questão de acompanhar a banda na viagem a Cabo Ver

 

Tropical Power reúne-se pela 1ª vez desde morte de Norberto Tavares, numa homenagem ao artista

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