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S.FILIPE: AS FESTAS E O FESTIVAL


Uai, uai…why, why, who, where e what!!!!

 

Valdir Alves

Entre o tradicional e o moderno, viajámos, atravês, sobretudo da TCV, até à ilha do Fogo que, para honrar seu nome, cospe ainda fogo como aconteceu em Novembro de 2014, chamando a atenção com seu anel (completo ou incompleto) de lume como foi, aquando da sua descoberta no século XV, assustando os descobridores da ilha do vulcão.

As mais tradicionais festas de Cabo Verde foram evocadas atravês de uma , sempre proveitosa, conferencia com especialistas na matéria.

Assinalou-se, com pompas e circunstâncias, o centenário do desenterro da bandeira. Ainda vivem uns poucos que testemunharam o lendário acto.

Mas também, e ainda a tempo, foram “desenterradas” essas figuras lendárias e homenageadas outras lendas vivas destas festas. Que bom!Parabéns pela iniciativa! Honrar os vivos como Padre Camilo Torassa já é obra.

 

 

Cumpriu-se o tradicional, para além do pagão e do religioso, o traço marcante e original destas festas. Isto é, pilou-se, jogou-se a bola, sem o meu Botafogo de Nelo e companhia, e houve corrida de cavalos. E como o feminino emancipou-se com o passar dos anos!
Olhe foi sem espanto que a Égua Armanda ( que me perdoe os Sete Estrelos por este realce à feminilidade), cortou a meta em primeiro lugar. Viva as fêmeas.

Mas também houve música no Presídio.

Aí na baixa da cidade dos sobrados, outrora assento reservado aos brancos da ilha.

Ouviu-se de tudo quanto é , actualmente, o mosaico cultural, ou melhor musical, de Cabo Verde. Da, às vezes “enfandonha” música tradicional aos vibrantes e nova onda musical do Rap, Hip-Hop que invadiram este arquipélago no meio do Atlântico de influências mil.

Bem, neste quesito não podemos queixar. Sempre foi assim.

Desde os escravos com seus “blues”, o português com seu fado, mais tarde a Mazurca e Polka da Polónia, Valsa da Áustria, Samba do Brasil, o Semba dos anos 70 nos anos da revolução em Angola, o Chotis da região da Boémia e originário do termo alemão Schottisch («escocés»), uma dança social centroeuropeia . A influência do Cadence, Zouk, Salsa, Merengue. o Pop Africano, Cola Zouk com filhos de crioulos nascidos nomeadamente em Dakar, e hoje com um cheiro a Soukous que também passou a ser ingrediente da Catchupa crioula.
O Sakis zairense reivindica, um dia desses, seus direitos autorais e resove chamar os meninos.

Bem era aí que eu queria chegar com algumas reflexões.
A media também faz-se “convidada” e qual filósofo da antiga Grécia, do alto da sua escriba, dá seu modesto contributo, questionando.

Bem a media não entoa o “uai, uai”da Talaia Baixo porque canta muito mal, umas músicas româticas.
Mas parafraseando um desses ignorantes daquele mencionado período da história e seguindo os conceitos ignorantes de Sócrates, (não aquele de calcanhar do futchibol brasileiro) , questiona com “Why, why”, pelo que o americano pergunta “How about the others threes w’s. Who, What, Where?

Confesso que fiquei orgulhoso com o inquestionavelmente incansável trabalho dos amigos da TCV.

Estes levaram-nos às raízes profundas e seculares da história dessas festas e vimos o que representa em termos da importância de concentrar, numa mesma mesa e almoço dos cavaleiros, (haverá cavaleiras por aí?) , uma parte do sector do governo e do chefe do executivo, da oposição e sua líder, do Chefe da Nação, historiadores, familiares dos “desenterrados e valentes e machos “Sete Estrelos”, como nos gabava o Senhor Danilo Henriques numa entrevista nos anos 90, nos concedeu com aquele sotaque de português profundo e carregado de errres.

Faltou, quiçá à media, se fosse possível fazer tudo, questionar o balanço das festas e, sobretudo , do festival. Para muitos, indubitavelmente, o maior festival musical, alguma vez realizado naquelas ilhas ressequidas e escalabradas, plantadas no Atlântico saheliano. Oh Nho Sanfilipe nho danu tchuba.

Será que o vereador da cultura, o edil ou o vereador da economia poderá responder a uma inquietante questão?

O rendimento desse festival do alto de Fonti Bila versus o investimento feito.

Há quem diga que se justifica pelos cem anos do desenterro da bandeira. Há aqueles que torcem o nariz se o investimento compensa, tal é o grande desfile da fina flor da nossa música e da música de artistas caboverdianos.

Fazendo as contas. O cachet, as passagens, a estadia etc e tal. Uns certamente mais remunerados , outros apenas para conquistar um lugar ao sol da nossa musicalidade.

Quem terá faltado no maior cartaz festivaleiro alguma vez visto em Cabo Verde?

Bem também não é de estranhar num palco onde já passaram a brasileira Paula Fernandes que, dizem, obrigou que se mudasse toilette do hotel onde foi hospedada e onde a grande troupe dos Kassav de quem sou admirador confesso, e sem hipocrisia, gostaria de poder apreciar também.

Mesmo que o conhecido Michel Montrond, em devido momento, tenha protagonizado uma greve e posto uma reflectida pausa na carreira, em sinal de solidariedade para com os seus “martizidados familiares” da Chã. Bem, isto foi há um ano e as lavas estavam ainda frescas ou melhor , a arder.

Teria ele subido aos palcos este ano, já que as lavas se transformaram em magma solidificado, para o contentamento da empreendedora Mariza e a alegria dos turistas?

Volto mais tarde com alguns questionamentos filosóficos sobre a ilha que me viu nascer, onde somos todos primos e descendentes das célebres e orgulhosas raças, Barbosa, Galvão, Sacramento Monteiro, Andrade, Teixeira, Montrond.

Que me perdoem não ter mencionado todos os demais apelidos porque o espaço aqui é diminuto para citar todos os descendentes de povoadores desta ilha onde nasceu a criolidade a judou a povoar os restantes pedacinhos de terra espalhados no meio do mar, como escreveu o poeta.

Para além destes questionamentos filosóficos com os quatro w’s, vou dedicar-me um pouco à reflexão sobre o papel da media, sobretudo a privada que continua a navegar contra o mar e vento e vai do funco da Chã aos sobrados de NhoSanfilipe, concedendo espaços a brancos, pretos mulados, cafuzos, mamelucos, mwangolés e mandjacos.

O meu amigo Rolando Barbosa Vicente, questiona porquê Nho Sanfilipe. Eu respondo, caro amigo. Talvez para dar aquele respeito e veneração que os santos merecem sob pena de não vermos as nossas preces e promessas cumpridas.

Bem fico por cá, porque daqui a pouco vou trabalhar a reportagem sobre as obras de remodelação do Bisca Club de New Bedford que tem dado um grande contributo ao desenvolvimento de Djabraba e não só, e falar com o compositor popular Putchota.

Será que este homem que escreveu sobre a Alice e os 5 tostões, a mulher que passou da Praia para catar dólares na Merca, o homem que catava banana verde no porão e pincelou lembranças de figuras antigas de São Filipe, cantadas pela agora e moderna Flor di Bila, e com mais um why, dizia, perguntando “foi alguma vez homenageado”? Esqueci de lhe perguntar.

É que apesar destes apelidos bem santiaguenses de Varela e Semedo , constatei logo e confirmou sua ascendência santiaguense, também sabe “botar rafodjos” da sua terra de gema.

Qual Príncipe de Ximento, deixa soar um valente uai, uai e why why pelas praias de Fonti Bila, passando pela Bila Baixo à Bila Riba, mexendo com as almas enterradas no cemitério dos brancos e dos pretos.

Vale a pena sempre uma prece a Santo Filipe, santo padroeiro de onde sou originário e rogar-lhe “nho dan Benson” para que haja , também, mais Semana di Djarfogo na Merca!!!

Mas já contento com semana de Nho São Miguel na Merca!!!

Ah, já me ia esquecer convém realçar que este sábado há São Filipe na Merca.
Uma réplica levada a cabo por esta valente Cristina Santos , também ela, e apesar de ser conhecida como Cristina da Guiné, uma descendente de Sacramento Monteiro.

Retintamente orgulhosa!!!

 

por Valdir Alves / facebook

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