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NATHAN GONÇALVES – UMA FUTURA ESTRELA EM PERCUSSÕES


NATHAN GONÇALVES – UM FUTURO FULGURANTE NA PERCURSÃO CABO-VERDIANA

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É verdade que em alguns casos, por vezes, é complicado cumprir a palavra dada. Como a dada aquando do meu último artigo em que prometi entrar de férias, no que diz respeito a escrita. Não obstante, na ocasião, a promessa, dizia respeito a questões eminentemente políticas, que não é o caso deste artigo que é tão somente para exaltar as qualidades de uma criança de 10 anos, acabados de serem celebrados no passado dia 25 de Novembro e que me surpreendeu pela positiva.

 

Era por volta de 20.00 horas, já com um ligeiro atraso, quando cheguei a “Tropical Restaurante”, na companhia da minha esposa para participar numa festa de anos para bem-aventurar dois aniversariantes que faziam anos nesse mesmo dia. A avó Mariana Fernande que completava meio século e o pequeno neto Nathan que completava 10 anitos.

 

Inicialmente a festa parecia meio enfadonha o que me levou a cochichar com a minha esposa que, se calhar, zarpávamos mais cedo do “cumpli” anos, visto que, talvez, o jantar era simplesmente um gesto de benquerença da Dulce Lopes para com a sua progenitora e o seu rebento, na companhia de amigos.

 

Mas, o meu prognóstico estava totalmente errado na medida em que por volta das 21:30, com a chegada dos músicos, Jorge Monteiro no teclado, o Zé Base e o Felix Fontes, antigo companheiro de Norberto Tavares no Tropical Power tive de mudar de opinião, o que me levou, novamente a ciciar minha cara-metade dizendo que afinal, vamos ter música ao vivo, e a ideia de terminar a noite no “Monte Cara Restaurante” que sempre tem música ao vivo aos fins de semana, ficaria para uma outra ocasião, pois a festa de anos prometia.

 

Porém, na arrumação dos instrumentos musicais, surgiu-me uma incógnita, que me apoquentou, ao notar que no fundo do palco estava uma bateria, instrumento pouco utilizado nas noites dançantes aqui no burgo e com o agravante de, percorrendo o olhar minuciosamente para todo o local, não deslumbrei nenhum músico com habilidade para aquele instrumento.

 

Depois do trio da noite tocar o happy birthday aos aniversariantes, surgiu a surpresa da noite com a chamada ao palco do pequeno grande Nathan Gonçalves. A presença do aniversariante no palco, não causou nenhuma estranheza aos presentes, porque se pensou que era mais um assombro do Tropical, iguais a tantas outras que já habituou a sua clientela, só que desta vez era para agradar a criança por mais uma primavera. Enganado estávamos todos. O Nathan Gonçalves viria a ser a figura da noite.

 

Afinal, a bateria que se encontrava inanimada no fundo do palco tinha como seu exímio executante o pequeno Nathan que sentou nela de forma ininterrupta das 22 horas até as 00h10m, sem se mostrar qualquer sinal de cansaço ou exaustão. O Jorge e os outros músicos esqueceram do “grogue time”.

 

O que mais me encantou nisso tudo, foi a impaciência da mãe pedindo clemência para uma pequena pausa para o seu filho se relaxar, enquanto este com firmeza contrariava a petição da mamã. Mais tarde viemos a saber que afinal, a performance do miúdo não caiu do céu. Aliás, o ditado popular já dizia que filho de peixe sabe nadar. Ele não é nada mais nada menos, que filho de Steve Gonçalves, um dos conceituados percussionista da nossa comunidade.

 

Este bambino, impressionou-me tanto, que senti na obrigação de me dirigir ao palco congratulando-o e estimulando-o a continuar os seus estudos académicos a fim de garantir o seu futuro. Continuando, disse-lhe, caso pretenda evoluir na área da música que devia pensar em frequentar uma conservatória, com o propósito de aperfeiçoar a destreza que possui, com a parte teórica, Junção essa necessária, mas, que maioria dos músicos crioulos não tem.

 

Conheço na nossa comunidade bastante catraios de origem cabo-verdiana, bons executantes de diferentes instrumentos musicais. Contudo, é a primeira vez que vejo uma dessa idade a acompanhar um grupo de adultos por mais de duas horas, batendo de igual para igual e com um robusto conhecimento de géneros musicais cabo-verdianas, desde o funaná, passando pela morna, coladeira, enfim. Quero deixar aqui, meu reconhecimento a todos os pais que conseguem transmitir os seus saberes aos filhos, a fim de permanecer viva a chama da nossa cultura, da nossa música. E nisso, Cabo Verde está bem servido.

 

Rogo aos pais que transmitam os seus filhos os bons valores, que os incentivam a estudar para serem o futuro deste mundo global, sem hipotecar os seus sonhos, as suas ambições e pretensões. Devemos sim, afastá-los dos males sociais, como o álcool, a droga, a prostituição, etc, etc. Devemos transmiti-los os bons valores, mostrá-los, por exemplo, que o dinheiro se ganha honradamente e que ele deve refletir o suor do trabalho.

 

Um baterista como Nathan Gonçalves exercitando os seus braços por longas horas saberá valorizar o dinheiro ganho.

O vídeo está disponivel através do link:

https://www.facebook.com/Carlos.Tavares.982?qsefr=1

 

“Bem aja nha musin”

 

By Carlos Tavares / USA, Novembro 27, 2016

 

 

 

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