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Norberto Tavares: Músico de intervenção social


“Norberto Tavares é um combatente pela igualdade social” -Sallah Mateos

Veiga HerminioAs músicas de intervenção, protesto e de luta, têm uma longa tradição na cultura musical cabo-verdiana. Foi notória a linguagem rigorosamente revolucionária com algum cunho político. Muitas dessas canções dizem respeito à longa história da luta anticolonial e nelas aparecem satirizadas diversas situações e personagens de Cabo Verde.

Outras surgiram após a independência criticando o regime de partido único e as inerentes limitações democráticas, mas mesmo em situação de eleições livres continua a haver motivos de desagrado que levam alguns poetas e músicos a exteriorizarem através dessa forma de arte, a revolta que sentem perante determinadas situações.

 

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Tributo musical a Norberto Tavares

Norberto Tavares ficou conhecido não só pela forma peculiar dos seus ritmos quentes do batuque e funaná, géneros característicos do interior de Santiago, mas também pelo seu carácter interventivo nas suas composições. Pudemos avistar, ao longo da nossa pesquisa que a maioria das suas composições aborda temáticas actuais, contemporâneas, sempre enquadradas no contexto cabo-verdiano.
Tavares usa frequentemente a sua música para expressar a sua insatisfação com as condições sociais de Cabo Verde.

O compositor não está alheio ao meio sócio-político cabo-verdiano. Pelo contrário, sempre chamando atenção à situação de desigualdade social, causas políticas entre outras preocupações. Para Manuel Tavares, é nesta linha que Norberto Tavares aparece como o irrequieto, apresentando um tom discursivo crítico, aproveitando a linguagem metafórica do interior da Ilha de Santiago.

Tavares, por meio de intertextualidade, desenvolve toda a sua crítica ao funcionamento do sistema público em si, com ênfase para o das instituições estatais, profetizando ao mesmo tempo dias melhores.

QUANDO UM MÚSICO SOBE A UM PALCO NÃO DEVE LIMITAR-SE A FAZER O POVO PULAR

Com efeito, através de um CD composto com três músicas “Dirigentes Inconscientes” (2001), repleto de mensagens amargas para quem estava no poder em Cabo Verde, Tavares voltou a ter protagonismo no processo eleitoral. Consciente ou não, com as suas duras críticas despertou o povo cabo-verdiano para a necessidade de mudança.

“Dirigentes debe staba consciente ma és ké nos serbente”
“Pa ka fazenu thokota pa ka ndjutuno”
(…)
“Dirigentes debe staba consciente mé ka só és ki merece aumento”
“Dirigentes debe staba consciente mé ka só és ki dá kontributo”
(….) – Álbum Dirigentes Inconscientes (2001)

Mas, no entanto, diz considerar que o músico não deve exercer apenas o papel de
entreter o povo. “Quando um músico sobe a um palco não deve limitar-se a fazer o povo pular e gritar de sabura. O artista, mais do que isso, deve ter alguma coisa
relevante para dizer, no sentido de causar um efeito positivo na vida quotidiana do seu povo”, explanou.

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