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A problemática de reintegração social dos deportados


Atualmente, o Gabinete de Apoio Personalizado aos Deportados, criado pelo Instituto das Comunidades, não funciona e os deportados vivem de pequenos apoios das instituições locais e dos familiares.

ROSTOS DEPORTADOS-2Cidade de Nova Sintra, 12 de Maio – Hoje, 12 de Maio, João José Pina, técnico da Câmara Municipal e ponto focal do Ministério das Comunidades pela área de gestão dos migrantes, falou da situação dos retornados dos Estados Unidos da América, país em que vive maior parte dos emigrantes bravenses.

 

Estão inscritos no Gabinete de Apoio Personalizado aos Deportados (GAP-D) cerca de 85 indivíduos, mas o número pode chegar a perto de uma centena os repatriados dos Estados Unidos, uns motivados por tráfico de drogas, crimes diversos, e outros por pequenos casos de agressões, não cumprimento de pensão alimentícia, entre outros delitos.

 

Desde que se iniciou o fenómeno da chegada de indivíduos deportados dos Estados Unidos, o Instituto das Comunidades instalou, em 2002, o Gabinete de Apoio nas ilhas do Fogo e Brava com o objectivo de reintegração social dos deportados.

 

“Desde a sua criação pelo Instituto das Comunidades, o GAP-D desenvolveu várias ações de parceria com a Câmara Municipal, disponibilizando um técnico social e materialização de projetos, com a Cruz Vermelha, em casos de apoios em refeições quentes diariamente, com a Delegacia de Saúde, em atendimentos hospitalares e medicamentosos, bem como com a Delegação do MDR, na materialização de projectos de reintegração nos domínios agrícola e pecuária.”

 

ROSTOS DEPORTADOS-1De acordo com o técnico, a coordenação do GAP-D foi garantida por uma psicóloga do MDC que quinzenalmente prestava atendimento aos deportados.

 

De salientar que, não obstante o estigma que trazem os deportados, são testemunhados casos de sucesso de alguns retornados beneficiários de projectos de reintegração, financiados pelo MDC, nomeadamente Djick, um dos maiores agricultores actualmente; Van, beneficiado com pequenos escadotes para pintura; António e Moniz, nas áreas de pesca, beneficiados com botes e motor; Ni, na área de tatuagem, desenho e pintura de decoração; Dabeto, barbeiro na localidade de Furna, entre outros.

 

No tocante à toxicodependência, pelo menos um deportado recebeu assistência da tenda El-Shadai e, hoje, encontra-se praticamente reitegrado.

 

“Alguns deportados foram beneficiados com diversos apoios, mas não aproveitaram, chegando a vender materiais que lhes foram doados, motivado por problemas, sobretudo, com o álcool”, disse J.J. de Pina.

 

Um caso que mereceu nossa atenção é o de Carlos José Baptista (Caju) que veio repatriado em 1997 e vive de uma pensão social e apoio do seu pai nos Estados Unidos.

 

Alvair é a única mulher deportada que se conhece na Brava, que, também, vive de pequenas ajudas para sobrevivência.

 

“Outros projetos de reintegração foram desenvolvidos, como aulas de língua portuguesa e aluguer de espaços para albergar deportados que não tinham familiares para os receber”, acrescentou J.J. de Pina.

 

Para Neek Gomes (Ni), um dos deportados, “há muito que os apoios deixaram de haver porque o GAP-D deixou de funcionar.

 

“Atualmente, o Gabinete não funciona porque o Instituto das Comunidade deixou de assumir a questão dos deportados, considerando as suas responsabilidades em relação às comunidades na diáspora” afiançou.

 

“A questão dos deportados é uma questão social e actualmente estuda-se a possibilidade de o MDC e as instituições de solidariedade encontrarem uma forma de ajudar os deportados”, acrescentou o técnico.

 

Por Sam Tiago

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