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PAICV PROIBIDO DE PERDER EM RHODE ISLAND


Por amor a tudo o que se conquistou no passado, debaixo de sol, chuva e neve, com muito suor e palmilhas gastas é proibido o PAICV perder qualquer eleição no Estado de Rhode Island, que é o segundo maior círculo em termos de eleitores inscritos nos EUA.

 

paicv-ri-ftA história é uma memória que se deve ter sempre presente. Muitas vezes nos serve de referência e de inspiração. Ela é um alicerce de orientação que nos norteia para o futuro. Por isso que se diz que não há presente sem passado e futuro sem presente. Nas últimas eleições presidenciais os sinais foram claras e cristalinas e os resultados preocupantes. Pelo que se exigem de todos um trabalho sério, perspicaz, com afinco e tenacidade como no passado para podermos conseguir propósitos que nos permitem celebrar no fim.

A DÉCADA DE NOVENTA DO PAICV EM RHODE ISLAND

Todos temos ainda presente a década de noventa do PAICV em Rhode Island, onde tudo era cinzento e tenebroso, as pessoas pró estrela negra eram amesquinhadas e afastadas, fazendo-as sentir apavoradas com receio de serem esmagadas pelos rabentolas do poder, como se tivessem cometido algo de aterrador e asqueroso ou fossem portadores de alguma doença epidémica.
Nas primeiras eleições multipartidárias no Estado de Rhode Island, tudo foi maquinado e capitaneado pelos tubarões ventoinha de forma a garantirem a vitória, para isso, fizeram gatos e sapatos das mesmas. Praticamente não havia urnas, os cadernos eleitorais eram seletivos e confidenciais, porquanto ninguém sabia com exatidão o número e quem estavam inscritos. O que se sabia é que o grosso das pessoas que iam votar eram próximos ou aliados dos flagiciosos do MpD. E, essas pessoas podiam votar quantas vezes fossem necessários, usando nome dos defuntos, ausentes e enfermos.

JOÀO ALVES (Djony): AS COISAS COMEÇARAM A MUDAR

Com a eleição do camarada Aristides Lima a Secretário-Geral do PAICV em 1992, na sua primeira visita aos EUA, a convite de um grupo de amigos oriundos da Ilha de Boa Vista, as coisas começaram a mudar em Rhode Island. Foi durante essa visita e num encontro no Philipps Hall em East Providence, que conheci o camarada JOÃO ALVES, um militante da primeira hora, batalhador incansável e que não obstante as intempéries de 1991, continuou firme não permitindo a morte anunciada do PAICV-RI, desígnio maior dos ventoinhas, na ocasião, para todos os cantos, onde existissem um resquício que fosse de um “strela negra”.

JOAO ALVESA seu jeito, desprovido de meios, desenrascava-se como pudesse para manter de pé o partido de Cabral em RI. Dos encontros esporádicos que agendavam, conseguia realizar algumas porque, muitos tinham terror às orcas do MpD e de um crioulo considerado como um dos mais fortes e assustador de RI, na altura, que teimava em remar num veleiro sozinho. Ao JOÀO ALVES (Djony), as minhas sinceras homenagens por tudo o que fezeste a bem deste glorioso partido.

Recordo-me como se fosse ontem, quando à 17 de Outubro de 1993, o meu amigo e camarada Djony, convidou-me para um encontro a dois na sua residência, onde, mais tarde, viria a ser transformado em sede do Partido, como não poderia deixar de ser, com a benquerença da Isabel, sua esposa. Apôs esse encontro, a fim de dar corpo ao estado maior do partido em RI, propus-lhe o agendamento de uma outra reunião, desta vez, mais alargada onde convidaria alguns militantes que ele já tinha previamente selecionado para fazer parte desse grupo caso estivesse de acordo. Essa reunião, só viria a acontecer meses depois, mais uma vez na sua residência, precisamente a 10 de Abril de 1994, onde de entre outros assuntos discutimos a melhor estratégia de enfrentar e derrotar o MpD nas próximas eleições em RI.

DECIDIMOS ENFRENTAR TODAS AS TEMPESTADES COM ÂNIMO

Nessa reunião, eu Carlos Tavares e os camaradas João Alves (Djony Alves), Sebastião Barros (Tchontcha), Henrique Jorge (Dick), Quintiliano Correia, Osvaldo Silva (Vavá), Lucindo Mendes, Renato Vieira, José Mendes, Agostinho Vieira falecido, Jack Pina, Domingos Vaz, Alberto Martins falecido, João Mendes “OS CATORZE GUERREIROS”, decidimos enfrentar todas as tempestades com ânimo, assim como manter firme e elevar o nome do partido com o mesmo espirito que Cabral lutou para a nossa libertação. Logo, começamos a desenhar e a estruturar a melhor forma de fazer o recenseamento eleitoral para as eleições de 1996 que na altura eram organizadas e feitas pelos partidos políticos. A nossa prioridade era garantir que todas as pessoas próximas do PAICV, a começar pelas nossas famílias e amigos fossem recenseadas.

 

QUEM SAI À CHUVA TEM QUE SE MOLHAR

Não obstante termos dado o nosso máximo, o estado moribundo em que o partido se encontravam, não era fácil defrontar e desmontar as tramoias bem orquestradas pelo MpD num curto espaço de tempo. Por isso, afigurava-se complicado vencer os rabentolas nas eleições de 96. Para além da desconfiança que pairavam sobre nós de sermos traídos por algumas pessoas que ainda não se mostravam convictos das suas opções. Com todos esses condicionantes a jogar contra nós, e respeitando o velho ditado que diz; “ quem sai à chuva tem que se molhar “ propus ficar como um dos representantes (delegado) do PAICV, na mesa de votos em Pawtucket, que se situava num antigo centro comunitário, hoje Liga Africa, propriedade do músico cabo-verdiano Jack de Pina, que por ironia do destino, pertencia o grupo DOS CATORZE revolucionários do PAICV-RI.

De recordar, que este cargo simbólico de delegado a mesa de votos, tem vindo a ser assumido por mim desde 1996 à 2012 e sempre com vitórias excepto os de 96 como é óbvio.

PERDEMOS, SEM SURPRESAS, AS ELEIÇÕES DE 96

Pelo acima exposto, perdemos, sem surpresas, as eleições de 96, mas contrariamente ao pessimismo de muitos, com melhorias significativas em termos de resultados, se compararmos com os de 91.

Logo após às eleições de 1996, desafiamos a nós mesmo a continuar o trabalho de mobilização, e já em Julho, por ocasião do aniversário da Independência nacional durante um jantar dançante no “Restaurante Lisboa à Noite”, através de uma pesquisa plebeia, pelo número dos presentes, tínhamos mais ou menos, a certeza de qual seria o resultado das eleições que se avizinhavam.

A capacidade do restaurante era para 180 pessoas, não obstante o desalento de muitos, quando ainda faltavam uma semana para o repasto os bilhetes já tinham sido todos vendidos. O jantar foi fantástico, num ambiente seleto com o perfume da vitória a pairar na sala. Depois do festim, segue o recenseamento, a missão do grupo foi dar seguimento aos potenciais apoiantes do PAICV que participaram no jantar, consolidar os seus votos e conseguir novas conquistas . Por isso, como nós os cabo-verdianos gostamos de festas, em Dezembro fizemos o “réveillon” no mesmo espaço e com mais sucesso. Devemos aqui enaltecer o papel dos conjugues dos integrantes do grupo que foram incansáveis nos apoios. Sem elas, seria impossível alcançar o preconizado, foram autênticas impulsoras desse brilharete.

Essa melhoria no score de 1996, ainda que relativa, deu-nos força e ânimo para continuarmos a trabalhar de forma a não melhorar o resultado, mas sim ganhar próximo escrutínio que seria o de 2001. Dito e feito, em 2001 foi quase chitada, ganhamos de forma estrondosa. Com 233 votos de diferença, foram 263 votos para o PAICV e 30 para o MpD.

TIVEMOS DE DAR NO DURO

Esse resultado estrondosa, apesar de parecer ser, mas não foram favas contadas. Tivemos de dar no duro, trabalhar de sol a sol, martelando os ouvidos das pessoas de forma pertinente e sistemática através dos programas radiofónicas locais em que os proprietários pertenciam todos o MpD, de forma a as convencer da bondade das propostas do PAICV, das diferenças existentes entre os dois partidos, que eram suportadas pela doutrina fecionada pelo PAICV, que é o de ser um partido de esquerda, com preocupações iminentemente sociais e que preocupa em governar o país tendo como centro das preocupações as pessoas. A nossa missão e estratégia era de manter o nome do PAICV bem perto das pessoas semana a semana através dos próprios programas apoiadas pelo Mpd. A estratégia funcionou em pleno, para que as pessoas possam ter uma ideia chegamos a fazer campanha até no radio nova S.Viciente CV, diretamente dos EUA.

Porém, devemos reconhecer também que a desgovernação do país, levando-a praticamente a bancarrota e desacreditado por todos, principalmente pelos organismos internacionais, deu-nos uma ajudinha na destituição dos ventoinhas.

O PERCURSO DO PAICV-RI DEPOIS DE 1996 FOI SEMPRE EM CRESCENDO.

De 96 a 2001 conseguimos recensear mais de setecentas pessoas, o que era praticamente impensável no passado, todas elas identificadas num base de dados e organizadas de forma a facilitar os responsáveis no trabalho político partidário que tínhamos que fazer junto de cada um, mantendo-as informadas sobre tudo o que dizia respeito ao quotidiano do partido.

Assim, com um trabalho paciente, contínuo, vigoroso e organizado, logramos acabar com a hegemonia do MpD em RI. O PAICV apoderou-se do pódio, condição essa que dura até hoje. Por esta razão quero aproveitar esta oportunidade e lançar um enérgico apelo à juventude deste grande partido aqui em RI que renovou o partido depois de 2007, a não se deslumbrar e deixar fugir o que custou a conquistar. Devemos sempre ter presente àqueles que deram tudo de si para que o PAICV-RI seja um verdadeiro partido de Cabral.

É PRECISO IREM BEBER DA EXPERIÊNCIA DOS NOSSOS LÍDERES

Sinto-me triste hoje, quando vejo camaradas meus, a intervirem e apoucarem do trabalho árduo e consistente feito pelos ancianos militantes do PAICV-RI, no intuito de apoderarem de tudo o que foi feito, como se os êxitos alcançados fossem único e exclusivamente frutos de hoje. Nas suas alocuções nunca se referem ao passado. É preciso irem beber da experiência dos nossos líderes sem exceção, que nas suas intervenções nunca esqueçam do passado. Uma das coisas que me sensibilizou da atual líder do PAICV, Dra. Janira Almada aquando da sua alocução aqui nos EUA, foi a forma como enalteceu o percurso e a obra de José Maria Neves e sua equipa, como também de ter sempre presente o ensinamento do pai da nossa nacionalidade, Amílcar Cabral.

Penso que os militantes do PAICV em Rhode Island devem enaltecer o suor derramado, a persistência demostrada e o caminho percorrido pelos camaradas, Djony Alves, Tchontcha, Dick, Quintiliano Correia, Vavá, Lucindo Mendes, Carlos Tavares, Domingos Vaz, Renato Vieira, Jack Pina, Alberto Martins, João Mendes e Agostinho Vieira para que o PAICV e consequentemente Cabo Verde e a nossa comunidade desfrutem dessa harmonia e desenvolvimento.

Eu, enquanto militante do PAICV-RI e prova de tudo o que fizeram, sinto-me no dever de os preitear com a minha escrita. Da mesma forma como Cabo Verde exaltam Aristides Pereira, Pedro Pires, uma das minhas referências politica, Aristides Lima e Pedro Pires eles também o merecem pela nossa comunidade de RI. É preciso demonstrar que na política não vale tudo.

Fiz alusão aos nossos históricos porque como é do conhecimento de todos, após a derrota nas legislativas de 1996, Pedro Pires a pedido de alguns militantes decidiu a re-assumir o partido, não obstante ter sido enterrado vivo pelo movimento ventoinha e muitos o terem apregoado o seu fim e do PAICV. E, essas profecias derrotistas e perversas deram-lhe alento para que na sua primeira prova de fogo ter conseguido os melhores resultados de sempre do partido “Strela Negra” nas disputas autárquicas. Foi o arrebatar das maiores câmaras do País. E essa vitória, foi o alavancar do partido para as outras vitórias que se sucederam, permitindo-nos orgulhar do país que temos hoje sob a égide do nosso grande JMN.

Deveremos memorizar de que foi com o trabalho persistente e abnegado desse grupo em RI, que nos permitiu ter hoje, esse grande e vitorioso PAICV no Estado de Rhode Island.

By Carlos Tavares
USA, 20 Novembro 2015

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