Home / Opinion / Alfredo Monteiro: Mais uma injustiça

Alfredo Monteiro: Mais uma injustiça


Não é contra eles que escrevo.

Alfredo Monteiro

Alfredo Monteiro

Ainda a propósito da “casa”. Mais uma injustiça. E vejam agora sei que até o mais Alto Magistrado da Nação, aquele que deve zelar para que se cumpra de facto a Constituição da República também entra nesta negociação puxando pelo seu/a cantidato/a. Esta visto não somos iguais perante a lei… que é o que diz a nossa Constituição uma vez que nem o próprio mais Alto Magistrado da Nação deixou de ser garantia disso.

Dizem-me que estou na prateleira há mais de dez anos, na entanto quem esta magoado comigo é a pessoa em quem depositei toda a confiança em quem acreditei que, finalmente, o tempo da injustiça da descriminação, de má memoria, tinha chegado ao seu fim no MNE/MIREX. Ninguém acreditou mais do que eu, muito menos aqueles que ainda ontem falavam mal, muito mal mesmo do novo titular e hoje, como que por magia passou a ser o salvador. Um conselho: é preciso ter muito cuidado com essa gente sem caracter..E eu, já pararam para pensar a mágoa, a frustração a humilhação e o vazio que me consome todos os dias ao ser permanentemente relegado para trás. E cá estou eu a preparam-me para mais dez anos de inutilização, Pelos vistos fiz mal em acreditar que depois de mais de trinta anos nesta “casa” chegaria ao topo da carreira como estes que agora chegam, muito embora seja Ministro Plenipotenciário de ultimo escalão/nível há muito mais tempo do que eles. Não é contra eles que escrevo.

Foram escolhidos, talvez sejam mais competentes e mais diplomatas do que eu. Passei a saber que para se ser chefe de missão o Estatuto da  Carreira conta pouco, pois as regras são outras. São cargos de nomeação do poder político onde funcionam outras regras que só os políticos conhecem..Eu convivo com esta realidade ano entra ano saí. Uma coisa sei: não faço parte dos predestinados, daqueles que entraram na carreira diplomática para chegar ao topo e chefiar uma missão. Pena que só agora tenho conhecimento disso. Deviam ter-me dito em 1985 ano em que foi publicado o primeiro Estatuto da Carreira Diplomática e se formalizou a carreira diplomática e em que entrei. Faço parte da primeira fornada. Se me tivessem dito na altura quiçá não entraria.

Já ouvi dizer nos corredores da “casa” que por ter escrito o que escrevi passei a ser o primeiro da lista negra. Houve mesmo quem sugerisse que não devia ter escrito nada. Passei a ser a mancha de uma pintura geral que era e é boa. Com tantos casos que já aconteceram no MNE/MIREX eu é que sou a mancha por ter escrito o que escrevi…nem acredito. Em quase, quase 30 anos de carreira diplomática, sempre me pautei por critérios de exigência pessoal, responsabilidade, honestidade e probidade. Sempre assumi as minhas responsabilidades e tenho sido sempre correcto, directo e frontal. E sempre que escrevo alguma coisa, assino por baixo e não escondo atrás do anonimato ou incógito, como hoje é norma, para dizer o que penso.

Depois de mais de 30 anos de serviço público, de trabalho abnegado, entregues ao serviço do MNE/MIREX, é com mágoa que verifico que, se calhar mereço este tratamento. Pelos vistos devia ter ficado quietinho e caladinho no meu cantinho. Toma, come e cala-te. Utimamente tenho ouvido cada vez com mais intensidade, embora na “casa” recusa-se, determinantemente, a falar e muito menos admitir a existência daquilo que se convencionou chamar de lista negra. Mas o que dizer quando se mantem um diplomata sénior no mesmo andar, na mesma sala, na mesma secretária mais de dez anos, sem nunca ser chamado para o que quer que seja e que só no oitavo ano, graças aos dois ex Presidentes da República é chamado pelos mesmos para os acompanhar em serviço ao exterior sobretudo por acham estranho esta situação, dá para pensar. Lembro-me que uma vez um deles questionou-me porquê que eu não saía em missão de serviço como normalmente acontece na vida do diplomata e se não saía era porque não queria ou não gostava. Respondi-lhe que para um diplomata no fim da carreira como eu só não saía porque não lhe davam nenhuma oportunidade mas que isso acontecia sobretudo por não ser do sistema e que com eles era diferente. Conheço muito bem esta situação pois não foi por acaso que fui o último a sair do que, então, se chamou depósito geral dos adiados.

Lembro-me das vezes sem conta que iam chamar o ….  que estava no depósito, para ser ouvido no processo disciplinar que entretanto lhe fora instaurado. Lembro-me que meio a sério meios a brincar lhe dizia: camara de tortura outra vez!!!. Normalmente quem já esteve numa listas destas não a deseja a ninguém, nem por uma baixa vendetta, porque conhece, sabe, viveu na pele as agruras, a humilhação por que se passa numa situação destas. Sei bem do que estou a falar.  Se se discorda passa-se a ser um alvo a abater. Se não concorda…é contra. Tem que se ter tem alguma proximidade pessoal, ou mesmo política, e isso acaba frequentemente por se refletir nas escolhas. Sou e serei sempre parte da solução e não do problema, mas como não sou do sistema…

Se o próprio titular diz que as portas e janelas estão sempre abertas o que resta a este simples diplomata dizer aliás a porta do velhinho 314 esteve e esta sempre aberta….nem chave tem.

Confirmo que fui convidado para:

1- Ser a segunda pessoa numa Embaixada na Europa e a minha resposta foi muito clara : quem esta a chefiar vai regressar. A resposta foi não, não regressa. E pelos vistos fiz bem em recusar ser a segunda pessoa. Uma semana depois vem publicado nos jornais que três Conselheiros de Embaixada iam ser nomeados Embaixadores na China, Alemanha e Luxemburgo. Quando recusei o convite para ser a segunda pessoa não sabia de nada mas lembrei-me dos palavras do meu falecido Pai : um Homem nunca deve rebaixar muito…porque quando mais se rebaixa mas riscos corre de mostrar as partes baixas.

 

 2- Para Embaixador itenerante num dos países que se pensa abrir, ou seja ser Embaixador lá mas continuar a residir  em Cabo Verde. A minha resposta não a posso contar aqui e agora por razões protocolares. O Sr. MIREX comprendeu os meus argumentos. Mas entre outros argumentei que depois de estar mais de dez anos não estava á espera de ser Embaixador part-time.

 

3- Não fui convidado para mais nada.

  

A luta continua

 

OBS: O sistema é um esquema instalado cujos felizardos que a pertencem flutuam sempre na mesma órbita, sempre muito próximo do poder. Nunca caem estão sempre bem. Máximé é sair de uma função para outra.

 

por Alfredo Monteiro / facebook September 7

 

Facebook Comments
Download PDF
Google+
%d bloggers like this: