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AS NARRATIVAS DE UMAS FÉRIAS BEM PASSADAS: CABO VERDE E TACV NO CERNE DAS ATENÇÕES

 

carlos-tavaresDepois de quase quatro semanas de férias bem passadas, deambulando entre França, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, colhido com as mesuras de um príncipe, com muita alegria, satisfação e conforto pelas minhas oito irmãs e um irmão que mal conhecia, fruto do machismo e prepotência de outrora. Para que os leitores tenham uma real noção desse reencontro, devo aqui enfatizar que já la vão meio século que os tinha visto pela última vez. Desta viagem, o que mais me impressionou foram as vicissitudes por que passei até chegar ao meu destino final, que era a França. Não obstante Cabo Verde ser um país de desenvolvimento médio e França um país desenvolvido, sem demagogia e com base em factos reais que pude comprovar pessoalmente, há muitas coisas que fazemos e que não fica a dever em nada alguns países do primeiro mundo.

Tudo o que vou narrar mais adiante, nada foi por mim inventado. Tudo foi visto e vivido em primeira pessoa, neste meu périplo de três semanas e tal em alguns países da europa.

holandDeixando politica e a politiquice de lado, vou primeiramente centrar no objetivo principal da minha viagem, aliás, motivo inspirador para a escrita deste meu artigo.

As minhas férias foram tão bem delineadas que não havia espaço para respirar. Das várias atividades realizadas, o que mais me cativou foi o jantar reencontro realizado na residência da minha primogénita em Paris, que fez deslocar as outras irmãs de Marselha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo para podermos ver de perto e confraternizarem com o irmão ignoto que não viam há cinquenta anos e desfrutarem da divícia e da grandeza de uma família. Este encontro convívio serviu também para confirmar as minhas suspeitas de criança, que do lado paterno, eramos mais de vinte cinco irmãos, portanto mais do que aqueles que residiam juntos em Salamansa – S. Vicente, aquando da imigração do nosso pai. Esse jantar serviu para muitas recordações, mas também para muita confraternização e júbilo. Foi emocionante sentir todos e cada um a transpirar muito amor e muita felicidade. O entusiasmo emanado nesse pequeno lar, onde comungavam juntos mais de trinta pessoas, contaminava todos, desde os irmãos, passando pelas tias e sobrinhos e terminados nos primos. A reunião de tantas pessoas dessa distinta família numa só noite, foi muito enternecedora coagindo o meu filho não conter a emoção, e comentar, “dad, não sabia se eu tinha tantas tias e primos assim”!

belgiumPenso que depois desta minha visita a França, Bélgica, Luxemburgo e Holanda, vou ter que preparar para me fazer chegar a Portugal, Itália, Dinamarca e Cabo Verde, onde, certamente, haverá outras enigmas por desvendar. Pelo menos posso garantir que oito irmãs e um irmão já estão caucionados.

Apesar do motivo prioritário da minha viagem foi visitar a família e encontrar uma parte importante da árvore genológica da minha família, também foi para na companhia do meu filho fazer um pouco de turismo. E graças a excelente planificação dos nossos guias que foram as minhas irmãs e sobrinhas, em quatro dias, visitamos os principais pontos turísticos  de Paris. Gostaria aqui, de enaltecer os seus préstimos e desejar um dia poder retribuir tudo o que fizeram por mim durante essas férias. Deixo aqui expresso, mais uma vez a minha vontade em dispor a minha casa nos EUA à disposição desses meu familiares e dizer-lhes que ela estará sempre de portas abertas e que não é preciso bater, é chegar e entrar.

Bem, deixando de lado a parte familiar que foi extraordinária, vou tentar expor em poucas linhas a segunda razão deste meu artigo que tem a ver com a parte política e económica, onde, de certeza, as cabo-verdianas e os cabo-verdianos encontrarão motivos de orgulho para aclamar Cabo Verde e TACV. “Pa ki un kriolu konxi verdadeiramente Cabo Verde, é tem ki sai fora”.

Caros amigos, as minhas férias foram programadas tempestivamente para o mês de agosto, evitando assim qualquer percalço da última hora, pelo que fiz as reservas da minha viagem no mês de abril, na companhia aérea WOW Air, e como qualquer pessoa, procurei o preço mais barato, como é óbvio, com alguns sacrifícios como, por exemplo, fazer uma escala em Islândia. Por este percurso, Boston/Islândia/França e vice-versa, paguei mil e sessenta e oito dólares americanos. E posso garantir-vos que, pelo que passei nesse voo, nunca mais voltarei a viajar nessa companhia, com um bilhete promocional. Prefiro pagar cem ou duzentos dólares a mais e saber que a minha viagem será tranquila e sem sobressaltos. Há quem diga que só os asnos não aprendem com os seus erros.

eiffel towerImaginem que tive de fazer quase nove horas de voo, sem direito a nada, nem sequer uma sanduiche ou um copo de água. Felizmente que um homem prevenido vale por mil, porque ninguém me avisou e podia acontecer que eu não estivesse preparado financeiramente para comprar as minhas refeições a bordo, porque tudo era vendido. Não sou contra essa medida. Mas que avisem os passageiros para que acautele por essa situação. É que já viajei inúmeras vezes por esse mundo fora em várias companhias aéreas e nunca me tinha acontecido situação do género.

Nos TACV, por exemplo, isso nunca me aconteceu. Lembro-me de uma promoção feita pela nossa companhia de bandeira em 2011 que fiz o percurso, Boston/Praia/Holanda/e vice-versa por novecentos e noventa e cinco mil escudos cabo-verdianos, portanto menos que mil dólares americanos, portanto mais barato do que praticada, na altura, pelas companhias americanas, no entanto, tive direito a todas as refeições servidas a bordo e ainda com direito a simpatia e morabeza da nossa tripulação de cabine. “Foi bon ki bali”.

Por isso, defendo e defenderei até a exaustão a nossa companhia aérea de bandeira, sempre que se mostrar necessário e pertinente. Exceto, obviamente, quando, como agora, que a atual administração resolve aumentar os preços dos bilhetes de bradar aos seus. E, atenção, só para os passageiros viajantes de e para os EUA, como se tem que ser nós a resolver os problemas financeiros dos TACV. Aliás, espero que os nossos governantes, pessoas a quem confio plenamente, façam que os responsáveis pela gestão dos TACV cumpram o seu papel de fazer com que a nossa transportadora aérea seja uma companhia viável e sustentável, sem que para o efeito tenha que meter a mão nos bolsos dos emigrantes. É preciso resolver mais rápido quanto possível esta política de preços, que em nada abona os TACV, os nossos emigrantes em particular e os passageiros em geral, pois neste momento muito dos nossos patrícios estão a utilizar Air Marrocos para viajarem para Cabo Verde.

luxemburgJá não partilho daqueles que, se os TACV atrasar fala-se, pragueja-se, enfim tenta-se fazer vida negra aos empregados da companhia. Se houver faltas de voos inter ilhas o comportamento é o mesmo, esquecendo-se que temos uma grande carência de aparelhos que torna cada vez mais difícil gerir um atraso, por ter efeito cascata. Se a direção optar por comprar mais aviões, para minimizar em parte esses problemas, apelidam a medida de má política porque endivida cada vez mais o país. Agora pergunto: Como fazer para gerir um país como o nosso sem recorrer a empréstimos? Que fazer para resolver os problemas prementes do país? Qual é a opção mágica? Penso que devemos emprestar sim, e investir esses empréstimos em empreendimentos que a curto, médio prazo conseguem produzir o retorno necessário para pagar essas dívidas. É preciso fazer política com olhos de lince, o que não é o forte desta nossa oposição, que só pensa no poder pelo poder. Isto, é que me interroga do que será do nosso país se os políticos ventoinhas chegarem ao poder com esta visão tacanho, reducionista e destorcida da realidade cabo-verdiana. Cabo-verdianos oji sta tudu ku odju aberto.

 

Desculpem-me debandar um pouco do propósito deste meu artigo que é o de alertar os meus patrícios, de informarem das condições oferecidas em algumas companhias aéreas com bilhetes promocionais, antes de viajar, na medida em que as da WOW air deixa muito a desejar. Nessa companhia, para além das refeições serem vendidas a bordo, paga-se também pela bagagem de porão. E caso houver excesso de bagagem, bô nome é dinis, sima ta dzid na soncent.

Apesar de não ter motivos de queixa da minha estadia em França, uma coisa que me chamou atenção é que tudo nesse país paga-se. Só para se ter uma ideia, para aceder aos espaços públicos como casas de banho, linhas de comboio etc. etc., paga-se.  Isto, é para dizer que contrariamente aos países do terceiro mundo, por incrível que pareça, em alguns países do primeiro mundo, pouco ou nada se preocupa com a parte social do cidadão.

USA, 8 Setembro 2015

By Carlos Tavares

 

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