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Cabo Verde, 40 anos depois…5 de Julho 2015


Quatro décadas volvidos desde a independência nacional, é um momento apropriado para se fazer uma avaliação objetiva do que Cabo Verde é hoje, os avanços e recuos, os ganhos e as perdas na luta pela emancipação do povo Caboverdeano.

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por Silva Rosa

Desde já, devo reconhecer que é notável e meritório de todo o louvor a determinação do povo de Cabo Verde, espelhado no “Nós Cabo Verde di speransa” imortalizado pelo saudoso Norberto Tavares. Os Caboverdeanos têm provado que não há intempéries ou contratempos que possa travar o seu progresso, incluindo 500 anos de colonialismo, seca, insularidade, emigração, falta de vontade e capacidade dos seus dirigentes e a globalização.
Cabo Verde é hoje aclamado como sendo um país viável devido à industriosidade do seu povo e da sua coragem, cultura e uma capacidade única de se adaptar aos ventos da mudança; durante esses 40 anos verificaram-se ganhos importantes, nomeadamente no setor do ensino, afirmação cultural, democracia, discentralização e criação de infraestruturas que melhoraram a qualidade de vida do povo das ilhas de forma exponente. Porém, esse melhoramento é virtualmente, assimétrico, portanto disequilibrado e parcial; gravita essencialmente à volta daquela meia dúzia elitísta que sempre governou o país, cuidou bem dos seus e deixou os outros com a mão estendida, numa ligeireza que espanta o mais passivo dos viventes. Aquela velha promessa segundo o qual “nós tera ê pa nós povo” está ainda engavetada a sete chaves devido a um sistema politico primário, uma democracia débil, e uma grande falta de vontade de produzir aquela justíça social que se espera de um país que se proclama democrático; a verdade é que a democracia não significa apenas fazer umas eleições de vez em quando; inclui a igualdade de direitos de oportunidades e acesso a aquilo que é de todos. “? dever do Estado… Promover o bem estar e a qualidade de vida do povo cabo-verdiano, designadamente dos mais carenciados, e remover progressivamente os obstáculos de natureza económica, social, cultural e política que impedem a real igualdade de oportunidades entre os cidadãos, especialmente os factores de discriminação da mulher na família e na sociedade” (Art. 7 al. e da Constituição da República).
amilcarcabral-memorialPorventura a maior perda que Cabo Verde alguma vez sofreu foi o desaparecimento prematuro do seu líder histórico, Amílcar Cabral; com base nos seus discursos deduz-se fácilmente que tivesse ele liderado o processo de libertação, as coisas teriam tomado um rumo bem diferente. Cabral jamais toleraria o abuso de poder, displicência, nepotismo, corrupção, indeferença ao sofrimento dos outros, negligência, adiamento, gulosice e incompetência que se tornaram rutina entre os gevernantes do país; mal se agarram ao poder, cometem as mesmas avarezas. O pobre de hoje não pode apanhar lenha na floresta, areia na praia, jora na ladeira, já não há trabalho de banqueta, muitos perderam os seus terrenos, choramos com o vulcão, ficamos encuralados. Barcos se afundam com pessoas, ninguém faz nada; Doutores matam no hospital, ninguém diz nada; a polícia abusa das pessoas, tudo fica igual; o estado invade propriedade privada, nada acontece: só mesmo em Cabo Verde! Que democracia é essa (?) num país que se paga para visitar um preso e os doentes no hospital; que os jornalistas andam amordaçados, organizações sociais são infiltrados; juízes e funcionários são transferidos de forma arbitrária; corruptos ficam impunes… “forti povo confortado na mundo”. Quando um Primeiro Ministro que anda no poder há 13 anos tem a lata de dizer que “a administração pública do país é excessivamente partidarizada” (Expresso das Ilhas, 17 Março 2015), o que mais estamos à espera de ouvir? Que o Parlamento quer aumento só para eles? Que Júlio Ascensão Silva é SG da UNTCCS há 40 anos!? Valham-nos os deuses porque essa gente não tem sangue nos olhos. A Propósito: eles são todos farinha do mesmo saco!
Haverá sempre quem diga que o país agora é de desenvolvimento médio, que temos mais estradas, portos e aeroportos… concordo mas, a que custo? Um sobre-individamento per capita em que o Cabeverdeano comum não se revê, ainda mais quando não lhe produziu um único emprego; vieram empresas da Europa construir portos e estradas e depois foram-se embora como se fosse na Guiné Equatorial ou Dubai. Só o tempo dirá em que lamaçal nos entolamos.
Porém, é preciso acreditar que dias melhores vem chegando, mas há que fazer algo para que esse dia se abrevie; 40 anos faz lembrar o tempo que levou o povo de Israel para chegar à terra prometida; a quanto estamos do “nós tera ê pa nôs povo? A ver vamos!
Viva 5 de Julho!
Viva Cabo Verde!
Viva a democracia!

Por: Silva Rosa

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